Terça-feira, 04 de Agosto de 2020
Editorial

Iniciativas inteligentes


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15/07/2020 às 08:22

A iniciativa da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é um demonstração excelente do que é preciso para levar educação a lugares que as instituições não alcançam pelos meios tradicionais. A UEA já inova ao realizar diversos cursos no interior do Amazonas com parte das aulas transmitidas remotamente a partir da capital, e dá um novo passo na parceria com a FAS, que proporciona um curso de graduação a jovens ribeirinhos que, de outra forma, dificilmente teriam tal oportunidade. 

A solução encontrada pelas duas instituições abre novos caminhos para vencer o desafio que é promover educação de qualidade em meio à imensidão amazônica. Trata-se de um dos muitos gargalos que o Amazonas precisa enfrentar. E é um dos mais críticos. A Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE revela que em nosso Estado, menos de 15% da população com mais de 25 anos possui ensino superior completo, quase 30% da população tem apenas o ensino fundamental incompleto e 7,7% dos adultos nunca puserem os pés em uma sala de aula. Como era de se esperar, a situação mais grave está no interior do Estado, onde crianças precisam percorrer longos  trajetos diariamente pelos rios para chegar a uma escola, e onde a oferta de cursos de nível superior é ainda muito escassa. 

Não existe solução fácil para essa realidade, que precisa ser enfrentada com políticas públicas integradas, incluindo programas criativos e parcerias de toda ordem, inclusive com o terceiro setor, como FAS e UEA está realizando com bastante êxito.  O governo federal também precisa fazer a parte dele. Um passo muito importante seria o reconhecimento das particularidades da região na hora de fazer a partilha dos recursos públicos, por exemplo. A construção e manutenção de uma escola no interior da Amazônia, assim com a aquisição de itens para a merenda escolar na região, são oneradas pela complexa logística. Isso precisa ser levado em conta na partilha do Fundeb. A oferta de cursos de nível superior também enfrenta obstáculos gigantescos. Uma medida fundamental é levar universidades para essas áreas. Projetos para  implantação de universidades no Alto Solimões chegaram a ser aprovados no governo de Michel Temer, mas foram engavetados na atual gestão com o argumento de que ajustes eram necessários, e nunca mais se tocou no assunto. 
 


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