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Editorial

Instabilidade permanece

06/06/2018 às 21:08
Show rodovi rios

Os pontos de interrogação sobre os acordos que suspenderam a greve nacional dos caminhoneiros e a dos rodoviários em Manaus permanecem. As decisões tomadas estão baseadas em outras decisões que precisam ser consumadas e quando forem irão abrir novas frentes de questionamentos e de reivindicações de outras categorias. Os acordos assumidos entre as partes não resolvem os problemas, no máximo os empurram para o futuro. Eis aí o grande impasse.

Quanto aos caminhoneiros, os embaraços já aparecem diante de medidas tomadas apressadamente e que não se traduzem em respostas positivas para a sociedade. Os preços dos alimentos permanecem elevados, outros foram reajustados em nível muito alto e os salários permanecem baixos. Com o agravante do peso que implica ser este um ano eleitoral, não se percebe por parte do Governo iniciativas que possam estabelecer o início de um plano nacional para esse setor. Faz-se remendos e estes acabam dependentes dos humores político-partidários e da troca de favores. Não é possível superar os obstáculos nessa área e implantar uma política moderna de operacionalização dos transpores rodoviários de produtos e alimentos numa realidade dessa ordem.

Em relação aos rodoviários, os problemas envolvendo esse segmento permanecem. A proposta de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o transporte de passageiros em Manaus não passou na Câmara Municipal de Manaus (CMM), embora esse tipo de instrumento tenha perdido credibilidade junto à opinião pública poderia, nesse tempo de conflitos, ser manejado para inquirir as partes e promover respostas esclarecedoras à população principalmente aos usuários de ônibus.

A sensação de instabilidade permanece para os usuários dos serviços de caminhoneiros e dos rodoviários. É como se a qualquer momento todos sejam surpreendidos com novas paralisações e se percebam na orfandade em relação aos governos e aos poderes Legislativo e Judiciário. Os prejuízos que a população acumula são imensos, o sofrimento provocado não tem como desfazê-lo e a estes é acrescido o medo de se ver de novo em meio a essa situação. Da parte dos governos, não há credibilidade que reforcem os acordos feitos e, na maioria das falas oficiais feitas, aparece o desencontro de informações até mesmo rejeição ao que foi negociado.