Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020
Editorial

Integração na saúde


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09/12/2019 às 09:15

Assim como acontece na educação, a saúde pública é dividida em etapas: o atendimento básico cabe aos municípios, enquanto os estados se responsabilizam pela média e alta complexidade. Se a atenção básica não for bem, é claro que haverá pressão sobre a etapa seguinte. Trata-se de uma questão óbvia que, infelizmente, não é levada em conta pelos gestores públicos.  É uma cadeia de fatores: se os municípios não conseguirem proporcionar um atendimento satisfatório na atenção básica, principalmente no aspecto preventivo, a demanda vai estourar nas mãos do estado, que terá que lidar com problemas que poderiam ter sido evitados com bem menos investimentos na etapa anterior.

Um dia talvez atinjamos um nível tal de maturidade política que deixe áreas estratégicas como a saúde blindadas em relação a eventuais  divergências, ideologias e preferências entre os gestores das diferentes esferas da administração pública. É fundamental que a estruturação e gerenciamento da saúde pública sejam feitos de forma integrada e com afinidade de objetivos e metas entre municípios, Estados e União, independentemente dos humores da política.

Enquanto esse dia não chega, convivemos com um sistema público de saúde com ações desencontradas, cuja eficiência é comprometida pela ausência de integração entre os níveis de atendimento. Nesse panorama, preocupa o fato de que menos da metade da população da capital tem pleno acesso aos serviços de atenção básica em saúde, providos pela Prefeitura de Manaus. Dados  da plataforma e-Gestor, do Ministério da Saúde, mostram que, até setembro deste ano, a cobertura dos serviços de atenção básica em saúde atendiam pouco mais de 44% da população de Manaus.

Ocorreu nos últimos anos uma involução no atendimento básico, já que em 2013, a rede municipal conseguia  atender mais da metade da população manauara, 51,61%. De lá para cá, a concentração populacional na capital cresceu, mas os serviços básicos de saúde não acompanharam esse ritmo. São números que não podem ser ignorados. Estado e capital precisam unir forças e, pelo menos nesse aspecto, desenvolver soluções em conjunto. A interlocução entre as secretarias de Saúde do Estado e da capital, além dos municípios do interior, precisa ser muito afinada para assegurar à população o melhor atendimento possível.


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