Quarta-feira, 23 de Setembro de 2020
Editorial

Inteligência contra o tráfico


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04/08/2020 às 08:19

O narcotráfico é um dos grandes desafios do poder público em todas as suas esferas, relacionando-se, por exemplo, com mais de 80% dos assassinatos ocorridos no Estado. O tráfico de drogas estimula a violência nas ruas, transforma presídios em bombas-relógio e mina a segurança pública nas cidades. Cientes de que uma das principais frentes de enfrentamento do problema está exatamente na raiz, na entrada das drogas em território nacional, governo do Estado e governo federal têm unido esforços para dotar as imensas  fronteiras de uma estrutura eficaz de monitoramento.

Foi para superar esse desafio do tamanho da Amazônia que o governo federal lançou, há pouco mais de um ano, o Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (Vigia), iniciativa estratégica do Ministério da Justiça em sinergia com os Estados.

O programa Vigia dá hoje um grande passo no Amazonas com a instalação da primeira base fluvial da Amazônia Legal, a Base Arpão – que consumiu investimento de R$ 17 milhões – juntamente com a entrega da primeira torre de comunicação com rádios móveis e portáteis. Nos últimos anos, o Médio Solimões tornou-se uma das principais rotas de escoamento de drogas, como cocaína e skank, produzidas em países vizinhos, principalmente na Colômbia e no Peru. Por essa razão, a nova base será atracada entre os municípios de Coari e Tefé. A partir dela, o patrulhamento será intensificado para combater o tráfico e levar segurança aos rios, onde também ocorre a frequente ação de piratas.

É claro que não pode parar por aí. O que se espera é o que o programa Vigia seja ampliado no Amazonas e faça frente ao crime, que certamente buscará formas de superar as ações das forças de segurança.

A proposta de intensificar as operações na fronteira para dificultar ao máximo a entrada de entorpecentes é bastante óbvia e já deveria estar entre as prioridades das forças de segurança há muito tempo. Antes tarde do que nunca, o governo federal começa a usar a inteligência no combate ao tráfico, articulando ações com os Estados e fortalecendo um programa que precisa ficar à margem das crises políticas e disputas eleitoreiras. Precisa tornar-se um programa de estado, uma iniciativa permanente contra o crime organizado.


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