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Editorial

Inversão de valores e uma boa ideia

25/11/2017 às 19:58
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O serviço público costuma ser, no Brasil, o sonho de consumo da maioria dos trabalhadores muito mais por razões pessoais do que pelo idealismo de servir e atender as  causas da população. E nesta madrugada de sábado tivemos um exemplo acabado deste desvio de finalidade dos profissionais que assumem um posto na máquina do Estado,  quando um delegado, invocando o Estatuto da Polícia Civil, uma legislação de 1980, portanto já ultrapassada, entrou numa das mais frequentadas casas de show da cidade portanto a arma que o Estado lhe deu para defender o cidadão. Ao contrário disso, matou um contribuinte e feriu outros três certamente embalado pelo álcool, uma droga que todos já sabemos não combina com direção de veículos e muito menos com armas no bolso.

Em que pese a irresponsabilidade do caso em tela, é passada a hora do Legislativo rever este Estatuto que dá aos policiais este direito, que como todo direito não pode ser absoluto. É preciso criar cautelas para que este tipo de episódio, que não é novo em nossa cidade, se repita. A título de memória lembramos aqui de caso semelhante ocorrido em outra casa de show no qual quatro delegados da mesma polícia civil entraram em choque empunhando suas armas e por pouco, muito pouco na verdade, não tivemos uma tragédia semelhante.

Em boa hora, portanto, sem ferir o direito que o Estatuto da Polícia Civil garante aos homens da lei, a Câmara Municipal de Manaus poderia seguir o exemplo de legislação municipal criada em Curitiba que proíbe em bares e casas de show a venda de bebidas alcoólicas a policiais que entrem nestes estabelecimentos armados. Eles podem entrar, mas não podem, por força de lei local, consumir alcool.

Se quiserem se divertir tomando o chopinho de cada dia, estes policiais devem entregar suas armas deixando-as acauteladas na gerência do estabelecimento. Parece uma legislação sensata, pois não fere o direito do policial de se divertir com os amigos, mas disciplina este direito impondo a ele a responsabilidade de manter-se sóbrio.

Por último, é de bom alvitre lembrar que o policial em questão é reincidente, posto que em 2014 se envolveu em incidente assemelhado, mas sem vítima. Cabe , portanto, perguntar o por quê do processo administrativo aberto contra ele naquele caso até hoje não ter sido concluso?