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Editorial

Jefferson Péres: honestidade na política é possível

26/05/2018 às 15:43 - Atualizado em 26/05/2018 às 16:24
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Na semana que passou, completou-se uma década da morte do senador Jefferson Péres, que em 30 anos de vida pública construiu uma trajetória impecável, figurando como referência em ética e honestidade na política. O senador amazonense foi a antítese do modelo geral de político. Havia uma placa na porta de seu gabinete avisando que ali não era um lugar para buscar favores, mas para apresentar ideias, discutir os problemas e também as soluções. Todas as campanhas eleitorais das quais participou foram extremamente enxutas e modestas. Mesmo assim, foi eleito e reeleito na Câmara Municipal e no Senado Federal sempre com votação expressiva, mostrando que não é preciso despejar rios de dinheiro na busca por votos.

Com essa postura, Péres conquistou a simpatia e o respeito do eleitorado, de seus aliados e até de seus adversários. A ética foi sua marca do início ao fim da vida. Exatamente o que falta a tantos representantes eleitos.

Infelizmente, a imagem sedimentada na cabeça dos brasileiros é de que político é sinônimo de desonestidade, de atividades escusas, de roubalheira. Isso é bastante compreensível no momento em que a classe política brasileira passa por sua maior crise moral, com numerosos políticos - de todos os matizes ideológicos - enfrentando processos por corrupção ou acusações relacionadas a  outros crimes.

Mas o cidadão brasileiro não pode chegar ao ponto de banalizar a corrupção. Não pode achar normal a famosa frase “rouba, mas faz”. Não devemos desistir da honestidade. Não é possível que Jefferson Péres tenha sido um caso único de político comprometido com a causa pública e não com o enriquecimento próprio. É lógico acreditar que existem muitos como ele, com intenção sincera de fazer política passando ao largo das práticas de sempre que seduzem a tantos. Eles estão por aí e vão aparecer nas próximas eleições, basta que o eleitor preste bastante atenção e escolha certo.

Jefferson Péres nos deixou há dez anos, mas seu exemplo é a prova de que vale a pena ser honesto, de que é possível fazer política no Brasil de forma limpa. Esse exemplo não pode ser esquecido. O Brasil precisa dar uma chance à ética e à honestidade na política. E essa atitude é fundamental para a construção de um País melhor para todos nós.