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Editorial

Jovens em perigo no interior

24/03/2018 às 02:21
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Gravidez precoce, maus tratos, trabalho infantil, prostituição e exposição a abusos de toda ordem são alguns dos riscos a que jovens e adolescentes estão sujeitos no Amazonas, principalmente nos municípios do interior. O quadro torna-se ainda mais alarmante com o avanço do tráfico de drogas, que vem intensificando o recrutamento de menores. O alerta, feito por representantes dos municípios que estiveram em Manaus nesta semana, não é nem uma novidade para o poder público e reflete um cenário que tende a se agravar se nada for feito.

A pobreza e ausência do Estado nas regiões mais longínquas do interior favorece abusos contra jovens que se envolvem com o tráfico, seja como usuários ou como “soldados”. Fica fácil para os agentes do tráfico recrutar adolescentes que não possuem qualquer perspectiva de vida. Essa é a realidade em cidades como Guajará, Pauini e Manicoré.

Os relatos foram feitos por participantes do ciclo de capacitação para o Selo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), organizado em Manaus pela própria entidade. O Selo Unicef é uma iniciativa para estimular os municípios a implementar políticas públicas para redução das desigualdades e garantir os direitos das crianças e dos adolescentes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).  

É uma iniciativa valorosa, mas que se torna inócua sem a participação ativa do poder público e demais instituições. Prefeituras e Estado precisam identificar os problemas e desenvolver políticas de forma integrada, atacando as causas do problema, que é dos mais complexos. São diversos fatores que, interligados, estabelecem o cenário atual de insegurança nas comunidades do interior, onde os jovens são os mais fragilizados.

Infelizmente, interior e capital no Amazonas são universos completamente diferentes. Os municípios interioranos, sobretudo os mais afastados, são relegados a segundo plano pelas instituições. Há falta de policiais, de médicos, de escolas, de juízes e de promotores, entre tantas outras ausências. Antes de mais nada, o que precisa mudar é a postura dos governos em relação ao interior, que deve ser visto e tratado com mais esmero. Enquanto isso não acontecer, crianças, jovens e adolescentes que vivem nos municípios vão continuar sem perspectivas, à mercê de todo tipo de abusos.