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Editorial

Julgamento emblemático

27/04/2017 às 21:49 - Atualizado em 27/04/2017 às 21:51
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No Brasil, ainda prevalece a sensação de que, quanto maior a riqueza do réu, menores as chances de condenação na Justiça. E mesmo que sejam condenados, algum artifício sempre poderá ser usado para garantir-lhes a liberdade - como um conveniente perdão presidencial - ou uma pena mais amena. Mas algo vem mudando nos últimos anos. Só o fato de haver poderosos políticos e empresários sendo investigados e condenados por envolvimento em casos escandalosos de corrupção, já significa que a impunidade está deixando de ser regra em nosso País.

A Justiça precisa prevalecer. É o que a sociedade espera no processo relacionado à Operação Maus Caminhos, em que a Polícia Federal constatou desvio de pelo menos R$ 110 milhões. E pior: o dinheiro foi desviado da saúde, uma das áreas mais delicadas da administração pública e que exige investimentos permanentes. Trata-se, de um crime contra a saúde pública, uma vez que o montante desviado pela quadrilha poderia ter sido aplicado na construção e modernização de unidades de saúde, na contratação de profissionais e melhoria do atendimento nos hospitais. Em vez disso, os milhões foram parar no bolso dos beneficiados e usados para bancar luxos de toda ordem, como carros importados e viagens suntuosas.

No momento em que o País convive com o escancaramento de esquemas gigantescos de corrupção, envolvendo a cúpula da política nacional e algumas das maiores empresas do Brasil, é impossível não ficar perplexo diante do que se passou no Amazonas. O que ocorrer no desenrolar do julgamento iniciado ontem no Tribunal de Justiça do Amazonas será emblemático para o Estado.

Os culpados, independentemente de quem sejam e da influência que possam ter – resguardado o direito à ampla defesa –, devem ser exemplarmente punidos e obrigados a devolver o que foi subtraído de forma ilícita do povo do Amazonas.

Que o desmantelamento da quadrilha descoberta na Operação Maus Caminhos seja o início do fim de quaisquer outros esquemas que possam estar causando danos à população do Estado. O desfecho do julgamento precisa ser emblemático para que todos saibam que a corrupção, o desvio, a improbidade... enfim, o crime, têm consequências, e os criminosos, cedo ou tarde, vão acertar as contas com a Justiça.