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Editorial

Juros absurdos

21/12/2016 às 20:53
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Simplesmente não existe um motivo razoável que justifique juros de 475,8% ao ano. Essa é a taxa média aplicada pelas operadoras de cartões no chamado “crédito rotativo”, que nada mais é que juros sobre juros. Quem cai nessa armadilha financeira corre o risco de perder muito dinheiro diante da “bola de neve” que tende a se formar. É absurdo. Só nos últimos 12 meses, a taxa média de juros do cartão de crédito teve uma alta de 70 pontos percentuais. Quando o assunto é cartão de crédito, o  brasileiro paga a  maior taxa média do mundo. Crise é uma palavra que não existe no vocabulário dos bancos e operadoras de cartão.

Ocorre que o cartão de crédito é uma importante ferramenta de consumo: permite a aquisição de bens cujo valor não caberia no orçamento se fosse pago à vista. Em tempos de retração nas vendas e queda no faturamento em praticamente todos os setores da economia, é fundamental reduzir juros, não só no cartão de crédito, mas principalmente neste segmento dado o patamar absurdo das taxas.

O Conselho Monetário Nacional (CMN)  sabe disso e estabeleceu prazo de 30 dias para que as operadoras efetuam e redução de suas taxas. Não se trata de uma intervenção no segmento. A reforma dos valores não só é possível, como já devia ter sido feita há muito tempo, como reflexo das reduções na taxa básica de juros (Selic) já realizadas pela autoridade monetária. Se a queda nos juros do cartão é tão positiva e traria reflexos imediatos na economia, por que ainda não foi feita pelos bancos e operadoras? A única resposta possível está relacionada à ganância dessas empresas. Daí o ultimato dado pelo CMN, que tem uma carta na manga para forçar a barra contra os bancos. Se as taxas não caírem dentro do prazo estipulado, o Conselho Monetário Nacional  passará a exigir que as operadoras repassem os recursos para os lojistas num prazo menor que os atuais 30 dias.

A pressão, que tem participação direta do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles,  faz parte da estratégia do governo para estabelecer uma agenda positiva para tirar o foco dos vazamentos de delações envolvendo ministros e o próprio presidente Michel Temer. Independentemente das motivações do governo, a redução dos juros do cartão de crédito chega em boa hora - se chegar mesmo! Vamos aguardar a resposta das operadoras.