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Editorial

Justiça acima de tudo

26/11/2017 às 21:04
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Amizade e lealdade são sempre fundamentais em todas os momentos da vida, sobretudo os mais difíceis. Ser amigo significa manter-se ao lado e apoiar, mas esse apoio não inclui defender a conduta equivocada, o exagero e o crime. Apoiar não é incentivar a prática criminosa. É natural que os amigos e simpatizantes do delegado que matou um advogado em uma casa noturna na noite de sábado manifestem a ele toda solidariedade. O incomum ocorre quando tais "amigos" passam a defender a violência e o uso indevido de armas de fogo.

Quando, nas redes sociais, alguém diz: "não mexa comigo ou vai levar bala", não age como servidor público responsável pela proteção dos cidadãos e aplicação da lei. Age, ao contrário, como alguém que tem uma visão muito distorcida da lei e, portanto, sem preparo para exercer a importante posição que ocupa.

Infelizmente, casos de violência envolvendo policiais à paisana em situações que, geralmente, envolvem o consumo de bebidas alcoólicas, são muito comuns no noticiário local. O caso de delegado Sotero é o mais extremo dos últimos tempos, mas brigas entre policiais fora de serviço com ocorrência de disparos acontecem com frequência preocupante.

A Secretaria de Segurança precisa agir com muita firmeza sobre o caso. A SSP anunciou a implantação de um sistema informatizado para identificar policiais armados em bares e casas noturnas quando não estiverem de serviço. Porém, é preciso fazer mais. É necessário reavaliar o treinamento dado aos policiais antes de lhes conceder o porte de arma para evitar que agentes da lei se transformem em ameaça à sociedade.

Também é necessário ressaltar que a aplicação da lei deve estar acima de qualquer corporativismo. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Amazonas, tem pressionado para que não aconteça desta vez o mesmo que aconteceu em 2014, quando o mesmo delegado Sotero envolveu-se em acidente de trânsito, recusou-se a fazer o teste do bafômetro, foi preso, mas, investigado por seus pares, constatou-se por "exame visual" que não havia sinal de embriaguez. Ele foi liberado, e na noite de sábado, fez mais uma vítima, desta vez fatal.

O que se defende é o devido processo legal, sem corporativismo de qualquer parte, com ampla defesa, para que se faça Justiça.

Por fim, cabe ressaltar que o triste ocorrido converte-se em forte argumento contra a liberação do porte de armas. Se nem agentes da lei, treinados para fazer uso de armamentos com máxima responsabilidade, conseguem manter o equilíbrio em situações de stress, como esperar esse comportamento do cidadão destreinado, que deseja ter uma arma para se "defender"? Não resta dúvida que a liberação das armas causaria no País uma escalada de violência nunca vista.