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Editorial

Lava Jato se fortalece

18/05/2017 às 22:29 - Atualizado em 18/05/2017 às 22:33
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Os últimos movimentos no âmbito da Lava Jato causaram um “terremoto” no País, deixando o governo de Michel Temer à beira do colapso, com fuga de aliados, ministros se demitindo e indignação popular.  A convulsão política, porém, ainda que cause paralisia administrativa e possa retardar a recuperação econômica, não deve restringir o avanço das investigações.

Essa nova etapa da Lava Jato acaba com  um argumento comumente usado por críticos da operação: o de que as ações seguiriam critérios políticos, mirando principalmente o PT e suas lideranças de esquerda. Ontem, em decorrência da operação, o presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves, um dos principais antagonistas dos petistas, foi afastado do Senado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) em face de evidências contundentes de que teria  recebido propinas da empresa JBS.

Isso sem falar do inquérito, já autorizado pelo Supremo, contra o próprio presidente da República diante da revelação de conversas comprometedoras gravadas pelo empresário Joesley Batista, da JBS.

O trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário segue fortalecido e avançando de maneira imparcial e independente. Ainda que a atuação da Lava Jato signifique o agravamento da crise, lançando o País na incerteza quanto ao futuro do cenário político, é um trabalho necessário, indispensável para passar o Brasil a limpo, para continuar o processo de saneamento na esfera política.

Com o enfraquecimento da base aliada e manifestações que certamente tomarão as ruas nos próximos dias, haverá mais tumulto e é de se esperar que o governo federal se ocupe mais em se defender do que administrar o País. 

O presidente Michel Temer, que agora é alvo de inquérito, daria uma demonstração de compromisso com o País se tomasse providências para amenizar esses efeitos nocivos à nação. Nesse cenário, a renúncia é uma opção que deve ser avaliada com seriedade. Assim, uma solução para a instabilidade política poderia ser buscada com mais efetividade, seja por meio de emenda à Constituição, viabilizando eleições diretas para o “presidente-tampão”, seja por meio de eleições indiretas. Como não renunciou, a crise política segue sem previsão de um desfecho.