Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Editorial

Liberdade de imprensa


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09/08/2019 às 08:27

Em tempos de escalada de fake news e tsunami de desinformação, o fortalecimento da imprensa livre e independente é mais do que indispensável. Uma das formas de combater a disseminação de equívocos é promover o exercício do jornalismo, feito por profissionais qualificados que primam pela correta apuração dos fatos, com técnica, ética, e com o suporte de empresas jornalísticas sérias e comprometidas em levar ao leitor informações corretas.

Lamentavelmente, o ambiente para o exercício do jornalismo está cada vez mais restrito, até em instituições que, em tese, deveriam primar pela boa informação, como a Justiça. Ontem, uma repórter do jornal A CRÍTICA teve o aparelho celular, usado na ocasião como instrumento de trabalho, retido por agentes de segurança e instada a apagar mídias gravadas.  Magistrados podem e devem adotar medidas para garantir o bom andamento dos trabalhos e procedimentos judiciais. Mas o constrangimento a profissionais de comunicação é desnecessário e nunca será aceitável. Não é razoável que o aparato policial a serviço da Justiça retenha aparelhos celulares de jornalistas, tampouco determine a eliminação de conteúdos.

Nota da 4ª Vara da Seção Judiciária ressalta que as mídias foram apagadas mediante autorização da repórter, mas é fato que tal “autorização” se deu em face de evidente pressão e da ausência de alternativas. Um episódio lamentável e totalmente desnecessário. Ressalte-se o bom trabalho desenvolvido na 4ª Vara de forma geral, especialmente no que tange ao relacionamento com a imprensa na cobertura dos desdobramentos da Operação Maus Caminhos, mas o que aconteceu ontem é lamentável. O procedimento poderia ter sido outro, com civilidade e respeito. Bastaria um pedido para que a gravação fosse interrompida. Em vez disso, o que se viu foi uma situação que remete aos tempos mais sombrios de nossa história recente, quando o trabalho de jornalistas estava submetido a uma infinidade de restrições.

O pleno acesso à informação é um dos pilares da democracia. É por essa razão que a Constituição Federal assegura aos profissionais de imprensa o livre exercício da atividade. A imprensa não precisa de barreiras, precisa de liberdade para fazer o melhor trabalho possível e contribuir para o desenvolvimento da sociedade.


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