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Editorial

Liberdade nas escolas

02/06/2016 às 21:59
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A produção nos parlamentos - especialmente no estadual e no municipal - sempre foi alvo de críticas pela baixa qualidade das propostas apresentadas, ressalvando-se as exceções que, de fato, produzem benefícios reais à população. 

O problema de certas propostas é que seus autores não visam o benefício concreto ao povo, mas a defesa de alguma ideologia pessoal que representa apenas e tão somente as próprias inclinações particulares dos autores. Vejamos, por exemplo, o projeto de lei que tenta proibir professores de manifestar opiniões a respeito de temas como política, religião e sexualidade. 

Claramente, o que há por trás da proposta é uma certa “esquerdofobia”, um temor de que ideias esquerdistas sejam repassadas aos estudantes por professores alinhados com ideologias “vermelhas”. A proposta é, sem dúvida, um exagero e, mais que isso, uma intrusão descabida na dinâmica escolar. 

Desse ponto de vista, a indignação dos professores é perfeitamente compreensível. Nesta quinta-feira, um grupo de representantes de movimentos sociais pela educação manifestou seu protesto na Assembleia Legislativa do Estado. 

O tempo da “doutrinação” nas salas de aula ocorreu durante o regime militar, onde certos assuntos foram apagados dos currículos escolares. Esse tempo já passou. Pelo bom senso, o deputado Belarmino Lins recomendou que o autor da proposta a arquivasse, o que dificilmente ocorrerá. 

Preparar estudantes para a vida em sociedade significa prepará-los para conviver de forma harmoniosa com diferentes convicções religiosas e políticas, e conviver também com a diversidade sexual. A escola, lugar de educação, debate e aprendizado, jamais poderá furtar-se à discussão de qualquer tema que seja.

Qualquer proposta visando cercear a atuação do professor em sala de aula deve ser questionada. Pressupõe-se que o educador, por formação, tenha a habilidade para abordar as diferenças presentes em qualquer sala de aula e fomentar o debate sobre elas, estimulando o desenvolvimento do pensamento crítico nos estudantes, que no futuro serão os cidadãos, políticos, formadores de opinião, os herdeiros do mundo. Só uma boa formação na escola hoje pode garantir uma geração mais consciente e atuante no futuro. E, quem sabe, uma classe política menos obtusa.