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Editorial

Lições de Moysés Israel

08/07/2016 às 20:57
Show moyses

Definindo-se como “um grande ajudante”, Moysés Benarrós Israel, que nos deixou no noite da última quinta-feira, foi um empresário que personificava o ícone do empreendedor, aquele visionário, que vislumbra grandes oportunidades onde os outros só conseguem ver incertezas, que consegue prever os desdobramentos dos cenários e adaptar-se a eles. 

A diferença de Moysés  - e que talvez seja a razão do enorme respeito que a sociedade amazonense sempre teve por ele - é que ele não visava apenas o crescimento de suas próprias empresas. Para ele, não há crescimento isolado, só se cresce se os parceiros, se a cidade, se o Amazonas também crescerem. Nos tempos em que o conceito de marketing ainda estava sendo definido, Moysés Israel já era um entusiasta do que os especialistas chamam hoje de estratégia do “ganha-ganha” onde qualquer negócio, necessariamente, precisa trazer benefícios para todas as partes envolvidas. 

Nascido na década de 20, ele acompanhou o desenvolvimento de Manaus, observando sua expansão e sendo agente ativo de seu desenvolvimento. Com trato leve e maneiroso com as pessoas, como diz em sua biografia publicada em 2014, ele é pioneiro, junto com seu tio Isaac Sabbá, em grandes empreitadas empresariais, como a construção da primeira refinaria de petróleo do Amazonas. Suas digitais também se fazem presentes na consolidação da agroindústria no interior do Estado e na indústria fabril da capital amazonense. Parte do Polo Industrial de Manaus foi erguida em propriedades que foram dele.

Na última entrevista concedida ao jornal A CRÍTICA, em fevereiro deste ano, quando estava prestes a completar 92 anos - e ainda em plena atividade -, ele dizia orgulhoso: “ainda não terminei”. De fato, a partida do empresário não significa o fim de sua obra. Ele continua vivo em seu legado, que está espalhado por todos o Estado. Um legado que continua e se perpetua no tempo. Conhecê-lo foi um privilégio. O homem de cabelos brancos e muitas histórias para contar se foi. Não se pode mais ouvir as histórias dele que se considerava mais um administrador ou industriário que um empresário. Mesmo quem não o conheceu, sem saber, deve muito a ele. Lançou as bases da indústria, mobilizou o agronegócio, incentivou a educação e fez o Amazonas acreditar que podia ser grande.