Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Editorial

Lições ignoradas


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08/08/2019 às 07:55

O 1º Festival do Tambaqui da Amazônia apresenta algumas lições, anunciadas no passado, e retomadas neste momento. Não se trata apenas da oportunidade singular de, por dois dias, experimentar a iguaria amazônica que esse peixe representa em diversos pratos, o que, por si já é mobilização interessante, diferente e capaz de atrais um grande número de pessoas, empresários, investidores. E sim dos contornos que a mostra apresenta, o festival é uma iniciativa do governo do Estado de Rondônia em parceria com criadores de tambaqui daquela região.

Para o festival em Brasília foram distribuídas 4,5 mil bandas de tambaquis à população. Em pouco tempo já não havia mais peixe. Todo o movimento gira em torno de possibilidades nas quais o governo de Rondônia resolveu apostar. Mostrar a viabilidade de criação do tambaqui em outros estados brasileiros; exportar esse peixe para o exterior; incentivar o consumo do peixe amazônico em outras regiões do Brasil.

Criador de peixes no Amazonas, o empresário Aciole Castelo Branco, da Agropec Taj Mahal, participou do evento e lamentou a falta de protagonismo do Amazonas nessa iniciativa. Lembrou que o Estado, apesar de todo o potencial hídrico, importe pescado de Rondônia e Roraima e criticou a falta de investimento continuo e incentivos para que o Estado assuma o lugar que deveria normalmente ocupar.

A história nessa área é antiga assim como as promessas e compromissos feitos para, logo em seguida, serem colocados em segundo plano. Gradativamente, o Amazonas sai de cena como potencial produtor de pescado e de fomentador de uma série de negócios sustentáveis que envolve uma ampla cadeia desde a formação de recursos humanos para atuar nesse campo, pesquisas, pequenos e médios empreendedores que teriam na indústria pesqueira a possibilidade real de gerar postos de trabalho, melhorar a renda de milhares de pessoas, e avançar no conhecimento cientifico sobre as espécies de pescado da região. Ao contrário, a maioria dos engenheiros de pesca formados enfrenta dificuldades para trabalhar na área em que se formou e não consegue, por falta de recursos, ser inserida em núcleos de pesquisas mais avançados.

Rondônia, ainda ocupa o imaginário nacional pelo agronegócio, a extração de madeira e a atividade garimpeira mostra outra possibilidade de diversificação de fontes para incrementar a economia estadual.  


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