Quarta-feira, 14 de Abril de 2021
Editorial

Lições não aprendidas


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27/02/2021 às 08:26

O que o Amazonas viu em janeiro e no começo de fevereiro em relação à Covid-19 começa a ser visto em outros Estados. O colapso no sistema de saúde já é realidade em locais como Santa Catarina, Tocantins, Rio Grande do Sul, Rondônia, Bahia e Ceará. Outros, podem colapsar muito em breve.  

As lições que não foram aprendidas com o Amazonas tanto na primeira onda da pandemia quanto na segunda devem ser absorvidas de maneira urgente para que não haja uma terceira - e não somente aqui, mas em todo o País. Neste momento, o mais urgente e efetivo seria, de forma célere, garantir a imunização da maior parte possível da população do Amazonas.

A conta é simples: com os números em queda no Estado, a proporção de vacinados em relação à população total poderá ser muito maior do que em locais que vivem o início de um colapso e que verão - inevitavelmente - números aumentarem nos próximos dias. É sabido que pessoas com sintomas ou diagnóstico confirmado da Covid-19 devem esperar pelo menos quatro semanas para poderem ser vacinadas.

O ciclo da doença fará com que boa parte do público a quem estas vacinas seriam direcionadas não possa ser imunizado. O que fazer com elas? Estocá-las? Não, seria cruel com outros Estados da federação. Alterar a fila de prioridades? Muito menos. Ora, nada mais efetivo que direcionar estas doses onde elas possam ser aplicadas não a 'conta gotas', mas de forma a gerar uma imunidade de fato. 

Se o Brasil resolveu batizar a variante descoberta em Manaus de 'variante amazonense', então que combatam o 'problema' na fonte. Imunizar a população do Amazonas é proteger o Brasil inteiro. Se, por uma irresponsável negacionismo, foi impossível trazer vacinas suficiente para o País enquanto o mundo já se vacinava, é preciso combater o foco deste incêndio que já vitimou mais de 250 mil brasileiros e brasileiras.

O Governo do Estado já afirmou que articula, junto com outros Estados, a compra direta dos imunizantes com os laboratórios autorizados. A magistrada federal Jaiza Fraxe já determinou a compra e indicou os recursos do Fundo de Fomento ao Turismo, na monta de R$ 150 milhões, para isso, em resposta a uma ação das Defensorias Públicas da União e do Estado.

Se faltou planejamento devido na esfera federal no início, ainda é tempo de evitar o pior. É preciso que se demonstre vontade de agir para salvar o Amazonas de uma nova onda desse vírus. Os caminhos, seja para o caos, seja para a imunização, já estão traçados. É fácil saber qual deles deve ser seguido.
 


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