Segunda-feira, 17 de Maio de 2021
Editorial

Líderes religiosos ignoram os riscos


IgrejaTemposPandemia15092020HenriqueWestinShutterstock_31F5A8DB-7A85-455F-A134-A7F61EBE29AF.jpg
10/04/2021 às 08:26

A disposição de líderes religiosos em retomar, neste momento, os cultos demonstra o quanto a ideia de Deus pode ser vinculada as mais diferentes propostas e interesses.  Esse não é um movimento novo, mesmo a leitura mais rápida pode demonstrar as disputas políticas em torno de Deus envolvendo guerras e mortes.
A reabertura das igrejas no Brasil da pandemia em elevada e escala, como desejam alguns pastores e sacerdotes, não é exatamente na defesa do legado divino e da conexão dos fiéis, a pressão realizada também exprime a outra feição de parte das igrejas, os negócios da fé. Política e economia entram em cena numa área que, supostamente, está afeita ao acolhimento, à escuta daquilo que faz as pessoas sofrerem e a participação popular nos rituais religiosos.

Não se aplica, se não por outras razões, a tentativa de legitimar a abertura dos templos para as atividades com os públicos. Nenhum indicador advindo do serviço de monitoramento da Covid-19 possibilita ao Brasil facilitar as aglomerações e reduzir o distanciamento social. O mapa diariamente publicado expõe recorde de mortes enquanto infectologistas alertam para a terceira onda do vírus.

Pastores e sacerdotes quando se lançam ao movimento pela reabertura erram e explicitam quais são suas prioridades. Não é salvaguarda a população, não é ser parte das inciativas de suporte aos protocolos sanitários e sim o é pelo egoísmo, individualismo e por entenderem a igreja como empresa. É, no mínimo, lamentável que autoridades da igreja se articulem politicamente para tentar assegurar a reabertura desses locais já.

O esperado seria a presença das forças pastorais na rede de apoio aos que foram e são vítimas da pandemia. A maioria ficou em silêncio, apenas uns poucos saíram em defesa do atendimento das necessidades básicas em saúde e alimentação de milhares de brasileiros praticantes de diferentes credos. Nem mesmo no episódio da aquisição de vacinas e da distribuição dos lotes quiseram se envolver, emudeceram e não foi em nome de Deus. 

É triste que o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha que decidir sobre uma pauta dessa natureza. Mas, tornou-se necessário reafirmar que o país vive em larga escala a pandemia da Covid-19 e que cuidados precisam ser tomados como regra geral. Ao mesmo tempo, diante de determinadas iniciativas atentatórias, é fundamental que a Suprema Corte se posicione. Este é o rito.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.