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Editorial

Livro e leitura

19/10/2017 às 22:12
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O ato de ler é uma das mais importantes pedagogias para romper formas opressoras e aprender sobre autonomia e liberdade. Incentivar a leitura em qualquer que seja o lugar e o meio de fazê-lo é colocar-se a favor dessa pedagogia. A matéria de A CRÍTICA, edição de ontem no caderno de Cidades, assinada pela jornalista Isabelle Valois, mostra um dos bons resultados quando pessoas se mobilizam pela causa da leitura.

A escola onde o projeto de incentivo à leitura se desenvolve, no bairro Tarumã, Zona Oeste, vive um momento de descobertas espetaculares e de revelação de potenciais entre crianças que até bem pouco tempo estavam alheias ao processo educacional no qual foram colocadas. Por meio do projeto “Um por todos e todos pelo livro”, gradativamente as crianças aprendem a viajar na companhia das letras, das palavras, dos significados e misturam-se as aventuras que cada livro proporciona.

Possivelmente, gestores e professores da escola passariam seus próximos meses lidando com situações de múltiplas dificuldades muito mais comuns nas escolas que as outras boas experiências. Aceitar a proposta e ajudá-la a desenvolver no âmbito escolar foi um passo importante. Os estudantes estão superando problemas que poderiam acompanhá-los por longo período de suas existências e fazê-los desistir ou minimizar a capacidade de enfrentar na fase mais adulta os concursos públicos. Aprender a ler, a soltar a voz, a pronunciar as palavras e a ter mais desenvoltura em apresentações públicas. Na soma, aprender a se posicionar, a exercitar o pensamento.

Se as iniciativas dos cidadãos deste País e deste Estado caminhassem nessa direção sem medo dos obstáculos possivelmente os indicadores brasileiros seriam outros e bem mais promissores. As crianças e as juventudes estariam noutro patamar de vida e de realizações e não, como ocorre com parcela expressiva delas, transformadas em número das estatísticas da violência e da exclusão.

Que a escola e suas forças vivas possam se animar a estender o projeto às comunidades do entorno. As crianças já devem ser portadoras de inúmeras observações, indagações e contação de suas aventuras aos seus familiares. Ou seja, o primeiro elo está feito, basta seguir em frente para efetivá-lo na perspectiva de uma escola de promoção da vida para além dos muros que a separam dos seus públicos.