Publicidade
Editorial

Lixo ainda é problema sem solução

11/01/2018 às 22:08
Show lixeiras 123

Estudo realizado pelo Grupo de Trabalho do Saneamento Básico, iniciativa da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), concluiu o óbvio a respeito do serviço de limpeza urbana em Manaus: o sistema de coleta e tratamento é incapaz de atender toda a demanda da cidade. O resultado são ruas, principalmente nos bairros periféricos, tomadas por lixo.

O problema é mais complexo do que parece. Não se trata apenas de redimensionar o sistema, contratando mais garis e mobilizando maior número de veículos. A falta de infraestrutura de muitas vias frequentemente inviabiliza até mesmo a entrada dos caminhões de lixo, que deixam de fazer a coleta sem prévio aviso aos moradores, que seguem depositando os detritos em via pública, aguardando o serviço que não virá. O resultado são cenas grotescas. Essa é a situação de inúmeras ruas da Zona Leste, por exemplo. 

Isso sem falar nos lixões viciados que surgem da noite para o dia em áreas remotas como o Distrito Industrial, inclusive, por iniciativa das próprias fábricas, que preferem fazer o descarte irregular de lixo a investir no correto tratamento, como determina a legislação. Nesse aspecto, a atuação de órgãos como o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas) faz-se necessária. No entanto, tropeçamos em outro gargalo: a estrutura desses órgãos está longe do ideal para garantir respostas rápidas e efetivas frente às inúmeras denúncias. 

No Ipaam, por exemplo, o último concurso para o corpo técnico aconteceu há dez anos. Diante da defasagem de pessoal para desenvolver as atividades do órgão em todo o Estado, edital para um novo concurso foi lançado em 2014, mas o certame foi cancelado em 2016 após questionamentos na Justiça. 

Outra situação delicada se refere ao aterro sanitário de Manaus, que precisa, urgentemente, ser modernizado. O acúmulo de resíduos sólidos criou uma montanha que já se eleva a mais de trinta metros de altura. No interior, a situação é muito pior: nenhum município tem licença ambiental para tratamento e destino final dos resíduos sólidos. O problema cresce, literalmente, a cada dia. E requer soluções bem planejadas e combinadas com medidas em vários setores, além da participação ativa da população.