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Editorial

Loteamento dos bancos públicos

26/01/2018 às 22:18
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A condição de uso da Caixa Econômica é uma das janelas para olhar a atuação do governo federal e da correlação com os poderes legislativo e judiciário no sistema vigente. Loteada até o terceiro escalão, como informou o Ministério Público, o banco  passou a ser refém de partidos políticos e daqueles que os comandam e de seus grupos.

O prazo alongado por parte do presidente da República para tomar a decisão de afastar diretores do banco demonstra o tamanho do peso dos “donos” da Caixa, e o afastamento por uma quinzena expõe o campo largo em manobras para atender pela metade o que o Ministério Público recomendava ser feito. Com loteamentos dessa ordem é difícil colocar o banco público a serviço das áreas que deveria de fato cuidar, é difícil oferecer vantagens para que setores mais populares da população possam fazer da Caixa o seu banco sem sofrer os efeitos das taxas extorsivas dos serviços bancários.

Uma política econômica voltada a atender as demandas sociais mais importantes não resiste e nem tem condições de competir com a política do loteamento do banco por donos de partidos. A Caixa é um nesse momento um dos exemplos do que os braços partidários açambarcam. Os outros bancos públicos não estão alheios a esse tipo de atuação que produz no interior do sistema o esquema de reféns e sobre o qual não se fez nada para romper com ele.

Uma diversificada carteira de atividades destinada a impulsionar o desenvolvimento e a melhoria de vida dos brasileiros passando do setor habitacional, de agricultura, até o cultural poderia e deveria funcionar a partir dos bancos públicos. Na estrutura vigente é impossível porque o manejo feito se dá em outra direção para abastecer redutos partidários; à população sobram farelos com o nome de programas que não se completam em suas finalidades anunciadas.

Sanear a Caixa Econômica exige determinação e coragem de enfrentar esses redutos cuja força é enorme. O teste de agora deixa uma pergunta, até onde irá o alcance da fiscalização ora feita? São vários partidos políticos e muitos parlamentares envolvidos com negócios realizáveis por meio da Caixa e, juntos, já demonstraram, como fez o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha,  podem depor ou calar presidentes da República.