Publicidade
Editorial

Luz no fim do túnel

10/08/2017 às 21:49
Show acritica

O saldo positivo de quase dois mil empregos no Amazonas no mês de julho - segundo dados do Ministério do Trabalho -, não significa, necessariamente um movimento de recuperação para a indústria da Zona Franca de Manaus. Na melhor das hipóteses, é “uma luz no fim do túnel”, como avaliou o presidente da Federação das Indústrias (Fieam). Isso porque, dos 1,8 mil novos empregos com carteira assinada registrados no mês passado, apenas 31% foram nas fábricas de Manaus, que acumulam a perda de mais de 50 mil postos de trabalho só nos últimos dois anos.

Apesar de positivo, o resultado revelado pelo Caged pouco representa diante de todo o impacto que o Polo Industrial de Manaus tem sofrido como resultado da crise econômica. Uma recuperação real só terá início com o reaquecimento do consumo interno, sobretudo nos grandes centros consumidores das regiões sul e sudeste. As projeções mais otimistas apontam que esse movimento deve se consolidar apenas no segundo semestre do próximo ano, independentemente dos rumos da atual crise política.

 

O que mina o otimismo das lideranças empresariais de Manaus são as recentes medidas aprovadas pelo governo federal, com reflexos bastante negativos sobre o Amazonas. Por causa da autorização dada aos Estados para conceder incentivos de ICMS, mesmo que a recuperação da economia se consolide, o Amazonas estará seriamente prejudicado em termos de competitividade. O temor é que o modelo Zona Franca deixe de ser atraente para novas empresas e passe a depender apenas das plantas já instaladas, isso se não ocorrer o pior: migração de fábricas para outras regiões que dispõem de melhor infraestrutura logística e estão bem mais próximas dos mercados consumidores. Nesse cenário, o polo de Manaus encolheria, juntamente com a economia amazonense. 

Agora não adianta reclamar da atuação pífia dos parlamentares que nada fizeram para impedir os danos à Zona Franca porque estavam muito ocupados ajudando a salvar o presidente da denúncia de corrupção. Suframa, empresários e lideranças políticas precisam definir uma estratégia comum e urgente, negociada juntamente com lideranças dos Estados da área de influência da ZFM, para tentar fazer frente ao que já é considerado um dos maiores ataques da história da Zona Franca.