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Editorial

Mais imposto para quem tem mais

04/01/2019 às 08:52
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A intenção do governo de Jair Bolsonaro em aumentar a tributação sobre as maiores rendas e ampliar a faixa de isenção é um aceno contra um dos grandes problemas do País, a extrema concentração de renda. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2017, 10% da população concentrava 43,3% da renda do País. Manaus ocupa a sexta posição entre as cidades onde ocorre a maior concentração.

A maior incidência de Imposto de Renda sobre os mais ricos não resolve o problema, mas é um passo importante e mostra sensibilidade do governo em relação ao problema, caso venha, de fato, a ser implementada.

Se por um lado, a iniciativa agrada em cheio as camadas menos favorecidas economicamente, com certeza enfrentará resistência junto aos mais afortunados, exatamente a classe onde o apoio ao presidente se manifesta de forma mais acentuada. Basta lembrar que Bolsonaro venceu em 97% das cidades mais ricas - com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - e ainda tem forte apoio da classe empresarial brasileira, ansiosa pelo aprofundamento da reforma trabalhista.

Não é de hoje que se cogita IR mais alto para os mais ricos e mesmo a tributação sobre grandes fortunas. As medidas são óbvias e já vigoram há muito tempo em diversas economias desenvolvidas.

Mas, por qui, iniciativas nesse sentido sempre esbarraram no poder de pressão das classes mais altas. O aumento da carga tributária para essa faixa de renda pode significar o fim da “lua-de-mel” com o novo governo. A pressão sobre a equipe econômica certamente já começou. E será um teste de fogo para o governo Bolsonaro, que desde a vitória nas urnas tem sido marcado com constantes mudanças de opinião de acordo com o nível de pressão recebida. Em algum momento, será preciso demonstrar firmeza.

Interessante ver os discursos do novo governo incluindo temas como direitos humanos e distribuição de renda, assuntos que não são de direita ou de esquerda, mas fundamentais para qualquer governo democrático.

A redução da carga tributária está entre as metas, mas depende dos resultados oriundos do ajuste fiscal que ainda será implementado pela equipe econômica, se conseguir vencer as resistências no Congresso e na sociedade.