Publicidade
Editorial

Mais segurança para salvar o Centro

10/03/2017 às 21:19
Show seguran a0333

O centro de Manaus já foi o destino de milhares de turistas brasileiros que vinham em busca dos produtos exclusivos da Zona Franca. Hoje muitos nem lembram que o modelo  amazonense não foi concebido apenas com foco na indústria de transformação. Havia também um projeto para fortalecimento do comércio - por meio de importações - e da agroindústria, formando um tripé de desenvolvimento na região de Manaus. Nas ruas do Centro, os turistas e a população tinham acesso, a preços diferenciados, tanto aos itens fabricados no Polo Industrial, como aos importados com exclusividade pelos lojistas. Naquela época, lá pelos idos das décadas de 1970 e 1980, o comércio do Centro era pulsante.

Isso tudo ficou para trás com a abertura da economia no início da década de 1990, quando o governo federal liberou as importações em todo o País. A partir de então, as ruas do Centro perderam a movimentação intensa causada pelo turismo de compras e ficaram restritas, praticamente, aos próprios  manauaras. Comprar no Centro tinha se tornado mais tranquilo, os lojistas se adaptaram à nova realidade e o comércio do Centro sobreviveu. Nem a chegada dos shopping centers conseguiu tirar o charme das compras nas ruas tradicionais do Centro. 
Hoje, o comércio tradicional está novamente ameaçado por um problema que não está relacionado aos efeitos da modernidade. Trata-se de uma crise de segurança. Com uma onda diária de crimes cada vez mais ousados e frequentes, a população tem medo de ir ao Centro. Empresários fecham as portas no final do dia temendo encontrá-las arrombadas no dia seguinte. A sensação de insegurança é bem real e coloca em risco a própria sobrevivência do Centro enquanto opção para compras, apesar de, tradicionalmente, liderar a preferência dos consumidores, principalmente por causa dos preços sempre competitivos  em relação aos shoppings. 

Mas o comércio do Centro é praticamente um patrimônio da cidade, e precisa ser preservado. Isso sem falar nos milhares de empregos diretos e indiretos mantidos pela atividade comercial. O Centro precisa superar mais esse desafio. A área necessita de um plano concreto de revitalização que precisa levar em conta a segurança de visitantes, lojistas e trabalhadores para restabelecer a tranquilidade de todos.