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Editorial

Mais um atentado

12/06/2016 às 23:12
Show pulse

O ataque desta madrugada de domingo na boate Pulse, em Orlando, Flórida, Estados Unidos, expôs duas chagas da vida moderna: a homofobia e o extremismo islâmico, ambos tendo por pano de fundo a facilidade para a compra de armas no maior país do mundo.

Esse caldeirão ganha ainda mais relevo a medida em que os Estados Unidos vivem um processo de eleição presidencial extremamente polarizada entre os liberais do partido Democrata e o empresário radical Donald Trump, virtual candidato a presidente pelo partido Republicano.

Nestes tempos, o extremismo islâmico vai, certamente, virar bandeira de luta política de Trump, que, entre tantas sandices, já propôs a proibição de entrada de árabes e mexicanos nos Estados Unidos, causando uma crise internacional para o País que mais imigrantes recebeu ao longo da história e cuja contribuição destes é reconhecidamente enorme, basta ver a lista dos vencedores do prêmio Nobel norte-americanos, quase todos de origem estrangeiras. O próprio presidente Barack Obama é filho de imigrantes.

Quanto a homofobia, eis um problema ainda mais sério e, lamentavelmente, presente na política brasileira, que, de certa forma, emula o que há de pior dos Estados Unidos. O movimento LGBT se pronunciou cedo e classificou o atentado como  um crime de ódio, aquele praticado contra pessoas por conta de sua opção de vida. O pior é que se trata dos EUA, o  país que mais avanços registrou na relação entre pessoas diversas sexualmente. Que o Brasil não siga por este caminho que só leva a violência.

Por fim, novamente os EUA vão encarar o debate sobre a facilidade para a venda de armas no País. Conforme especialistas, desde 2010 foram mais de 500 massacres – são classificados assim todos os crimes em que morrem mais de duas pessoas vítimas de atiradores em locais públicos – e todos cometidos com armas compradas facilmente em mercados locais. Lá, essa facilidade é garantida pela 2ª emenda a Constituição, mas há tempos que se fala em, não proibir, dificultar o acesso.

Para se ter ideia, somente o critério idade é um elemento que pode proibir a compra de armas. Antecedentes criminais também, mas poucos fazem uma checagem correta e, na pratica, o acesso é pleno. Que o Brasil reflita sobre isso.