Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
Editorial

Mais um prédio desaba, e daí?


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21/10/2019 às 08:59

O desabamento do edifício Andreia, em Fortaleza, reabre a discussão sobre a eficácia da fiscalização na construção e manutenção de prédios no Brasil. Este é mais um caso e que vem à tona são relatos misturados do tipo a tragédia não foi maior por isso ou por aquilo, morreram tantas pessoas, outras ficaram feridas que um mês, dois meses depois, já serão ignorados ou esquecidos para, em outro desabamento, serem citados.

Enquanto os governos dos Estados e dos Municípios brasileiros, a sociedade organizada, e as representações de profissionais diretamente envolvidos com esse segmento não tomarem providências enérgicas para fazer valer os protocolos, a história seguirá nesse ritmo. E ameaça a todos, em cada cidade brasileira.  O prédio ou o que sobrou dele que ora é objeto de investigação está situado em uma área nobre de Fortaleza, o que, em geral, pressupõe procedimentos de cuidados mais criteriosos do que aqueles situados em áreas com menor poder aquisitivo.

Não deveria haver diferença nesses procedimentos qualquer que fosse a área, o que prevaleceria, para além dos interesses mais restritos, seriam as normas de segurança e de prevenção. No Brasil, a cultura da desigualdade se espraia e afeta setores amplos na construção civil e em outras áreas que produz um comportamento quase coletivo de descaso. No item habitação, tem sido esse procedimento. Somente em casos raros, onde um conjunto de fatores atua, é possível verificar cuidados na definição das áreas de construção, no processo construtivo, nos aparatos de segurança e de manutenção de prédios. O habite-se vem sendo banalizado e até ignorado por agências que financiam as construtoras, construtoras e futuros ocupantes desses espaços.

A continuar nessa linha, o País assistirá periodicamente cenas com a que foi registrada em Fortaleza, no dia 15. A conduta de desvalorização dos protocolos desenvolvidos para garantir bons níveis de segurança e minimizar os riscos nesse setor é em si predatória e sintetiza o desprezo pela proteção à vida e pela necessária responsabilidade que deveria ser inerente nas atividades de construção civil. Se não houve reações fortes nada mudará e o lavar as mãos diante das tragédias consumadas e daquelas anunciadas será o gesto mais repetido nas cidades.            


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