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Editorial

Manaus e os refugiados

23/04/2018 às 21:48 - Atualizado em 23/04/2018 às 23:13
Show venezuelanos

Esta semana a cidade de Manaus recebe famílias de venezuelanos que tentam encontrar melhores condições de vida em outro país, principalmente no Brasil. A chegada dessas pessoas ocorre em meio a controvérsias que testam o estágio da política brasileira em relação ao acolhimento de estrangeiros em situação de fragilidade e de refúgio.

A crise na Venezuela repete enredo com o qual a história tem se debruçado e ela própria vem sendo desafiada sobre como irá escrever essas etapas de conflitos e de confrontos. Com dificuldades profundas, o governo venezuelano sofre boicote internacional e deixa de realizar inúmeros negócios que antes proporcionavam estabilidade a maioria da população. Desemprego, desvalorização da moeda nacional, confrontos entre grupos políticos e instabilidade produzem a saída de um grande número de venezuelanos.

No Brasil, destino da maioria dos que estão deixando o país na busca de viver em condições mais digna, venezuelanos encontram acolhida solidária e discriminação em escala. O governo do Estado de Roraima, principal porta de entrada ao Brasil dos refugiados, pediu e não foi atendido que a fronteira entre o Estado e o país fronteiriço fosse fechada. O pedido governamental pareceu ser o recurso mais adequado  diante da chegada de milhares de refugiados à capital, Boa Vista, e a falta de estrutura para receber, em curto espaço, tanta gente em situação de sofrimento.

Condutas dessa natureza não produzem resultados satisfatórios. Costuma provocar mais violência e afeta uma série de instrumentos internacionais na área da migração dos quais o Brasil é signatário. Venezuelanos e tantos outros povos no mundo migram a partir dos distúrbios que afetam diretamente suas vidas. 

Em Manaus, a segunda cidade na Região Norte a receber os refugiados venezuelanos, organizações religiosas, como a Cáritas, e grupos sociais tentam criar mecanismos para que os venezuelanos possam ter atenção básica e seus direitos respeitados. Campanhas de doação de roupas, calçados, de higiene pessoal e alimentos não perecíveis estão em andamento. A mobilização objetiva criar base mínima de estrutura para que os venezuelanos possam ter acolhida respeitosa e capaz de evitar mais adoecimento. Professores e estudantes, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estão definindo atividades como ações solidárias aos refugiados na área da saúde, do ensino de português, artes e comunicação. Que a gestão solidária, apesar de toda a dificuldade, possa ser mais firme e forte a essas pessoas.