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Editorial

Manaus na rota de ataque terrorista

22/07/2016 às 11:04
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Foram extremamentes preocupantes as revelações trazidas, ontem, a lume pela Operação Hashtag, da Polícia Federal, que cumpriu dez mandatos de prisão e dois de busca de apreensão em Estados brasileiros, o Amazonas incluído, contra supostos adeptos do grupo terrorista Estado Islâmico.

Ninguém desconhecia que o terrorismo moderno usa as redes sociais e a rede mundial de computadores para semear o ódio que sentem pela civilização ocidental e por todos que professem um credo diferente do deles, ungidos que são por um Deus excludente e intolerante.

O que chamou atenção foi a presença de pessoas de Estados cuja tradição de receber e conviver bem com  comunidade árabe é histórica, como é o caso do Amazonas. Para cá vieram levas e mais levas de sirio-libaneses que construíram patrimonio, ativaram setores da cultura, da gastronomia e das artes como em nenhuma outra parte do mundo. A presença dos árabes no comércio, no patrimonio histórico, nos clubes sociais, sempre interagindo com demais comunidades formadoras dessa grande amazônia é um marco do povo cordial que certa vez Sérgio Buarque de Holanda classificou o povo brasileiro.

A questão que fica para refletirmos sobre o cidadão preso ontem acusado de ter jurado lealdade ao Estado Islâmico é como ele foi capturado pelo discurso do ódio? Quais motivações o levaram ao radicalismo? Enfim, numa terra em que árabes e judeus convivem em harmonia na principal rua do comércio da cidade é incompreensível que um jovem, trabalhador do setor público, no qual alcançou postos de chefia em setor especializado, tenha se filiado a um grupo que só traz dores para suas vítimas e flagelo para a própria família.

Em boa hora, portanto, essa operação foi deflagrada para que reforcemos os sistemas de segurança, postos a prova no caso deste grupo ainda incipiente.

Por fim, também é importante a população ficar atenta, sobretudo naquelas famílias em que integrantes passem a experimentar mudanças de comportamentos repentinos, pois muitas vezes o coração e a mente deles é tomada silenciosamente, na calada dos bites e bytes das redes sociais, um instrumento de união que é usado por estes grupos como arma de propaganda e de recrutamento de novos quadros terroristas.