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Editorial

Manaus sitiada pelo medo

09/06/2017 às 22:21
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Aterrorizada. Assim está a população de Manaus diante da sequência de casos de assassinatos, esquartejamento de corpos e assaltos em larga escala. Nenhum lugar de acesso público oferece segurança. Escolas, unidades de saúde, igrejas, praças, paradas de ônibus e os próprios ônibus tornaram-se espaços de perigoso e de ocorrências de atentados contra a vida das pessoas. 

Nas mortes estão as marcas de crueldade e de condutas típicas das ações de extermínio. Falar em sensação de segurança soa como ironia diante da profunda insegurança e instabilidade a que os moradores de Manaus estão submetidos. Os relatos feitos nos quatro últimos dias envolvendo a descoberta de corpos humanos, a agressão sofrida por um adolescente em frente a escola onde estuda, a invasão de uma unidade de atendimento à saúde por um homem  armado e o tempo de permanência desse individuo no ambiente provocando desespero nas pessoas sem que fosse detido é um retrato de uma cidade largada.

As autoridades, protegidas, dedicam mais atenção às disputadas eleitorais, à formação de alianças e aliados. As dores da população não produzem ecos que mudem comportamentos e garantam ações efetivas para assistir os moradores. Juntam-se a essa agudização da insegurança as interrupções cada vez mais frequentes no fornecimento de água e de energia elétrica, as panes nos ônibus. A soma gera pessoas com alto grau de estresse e dispostas a seguir a lógica do fazer justiça com as próprias mãos. É como uma panela que não suporta a pressão e explode promovendo estragos, com uma diferença fundamental, são pessoas em atitudes explosivas. A lentidão das respostas por parte dos administradores públicos, a tentativa de minimizar a gravidade da situação  ou o aparente descaso com esse quadro gera revolta.

Governo do Estado, Prefeitura de Manaus, Legislativo e Judiciário têm em mãos elementos mais que suficientes para que se  reúnam e posicionem as responsabilidades dos representantes da sociedade em um pacto de enfrentamento as investidas do crime organizado e dos braços das organizações criminosas. A situação instável dos moradores provoca prejuízos nos vários setores da vida social, nas atividades da saúde pública, da educação, do comércio. Todos arrastados para o lugar comum da violência produzindo mais violência e pânico.