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Editorial

Matéria prima das heroínas

09/08/2016 às 14:54
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Os Jogos Olímpicos, estes da era moderna criados pelo Barão de Coubertien, são cheios de histórias belíssimas para todos os gostos, com dramas, tragédias e alegrias se misturando a sorrisos, lágrimas e espantos generalizados.

 Há, por exemplo, histórias de excelência esportiva que vemos nas trajetórias de Mark Spitz (sete medalhas de ouro em sete provas em Munique-72), Carl Lewis com suas quatro medalhas de ouro em Los Angeles-84 e assim repetindo o feito de Jesse Owens diante do Fuher em Berlin-32.

Há também histórias de derrotas que fizeram o derrotado maior que o vencedor, como no caso de Gabrielle Andersen, a maratonista suiça que ao entrar no estádio Olímpico de Los Angeles cambaleante e desidratada fez desaparecer o brilho de ouro da medalha de Joan Benoit. O mesmo ocorreu na trajetória olímpica do nadador guinéu-equatoriano

Eric Moussambani Malonga em Sydney-2000, quando nadou os 100 metros livre como se tivesse aprendido a nadar na véspera e fez o tempo mais longo já registrado para a prova:  um minuto e cinquenta e dois segundos. O ouro de  Pieter van den Hoogenband veio em  47 segundos e 84 centésimos.

Há também exotismos, como o do maratonista Abebe Bekila, que corria descalço e dos corredores Tommie Smith, ouro nos 200 metros rasos na Cidade dos México-68, e de seu colega John Carlos, bronze na mesma prova, e que  logo após receberem as medalhas levantaram os braços com os punhos fechados, o símbolo do movimento Panteras Negras, que lutava por direitos civis iguais entre negros e brancos nos Estados Unidos.

Mas nada se compara, do ponto de vista simbólico para nós brasileiros, com a história de Rafaela Silva, que ontem conquistou a primeira medalha de ouro para o Brasil na Rio 2016. Negra, como os Panteras, pobre como Bekila, de trajetória improvável como  Moussambani, e de excelência acima de todos, como Owens, Lewis e Spitz, ela superou a infância pobre na favela Cidade de Deus, cuja degradação social foi retratada no magistral filme de Fernando Meirelles, superou o preconceito ao ser eliminada em Londres-2012 por ter aplicado um golpe proibido, e finalmente atingiu a glória olímpica numa edição dos jogos que acontece na cidade natal dela e num ginásio que fica a poucos quarteirões da favela em cujos becos começou a lutar judô num projeto social.

Foto: Francisco Medeiros/ ME