Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020
Editorial

Medidas desastrosas


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14/12/2019 às 08:57

O restabelecimento dos radares nas rodovias brasileiras repõe um procedimento importante que mesmo falho em determinadas ocorrências ou desvio de conduta de quem administra o sistema tem, em sua origem criativa, o objetivo de fazer controle das infrações no trânsito. Esse tipo de equipamento deixou ser utilizado em agosto por decisão presidencial.

Agora a medida está revogada pela justiça e os radares voltaram a funcionar. O que se questiona é o porquê de interditar os radares, a que tipo de interesse se prestou o ato de suspensão do serviço que se constituía em um dos poucos procedimentos na proposta de estabelecer parâmetros e regularizar a forma de uso das estradas do País.

Um dos resultados mais imediato foi a confusão gerada em um setor ainda em busca de procedimentos mais firmes e profundamente institucionalizados. Outra pergunta a ser feita quando se avalia possíveis motivações para a tomada da medida é se a assessoria técnica da Presidência da República consegue se fazer escutar pelo assessorado? Se consegue, qual tipo de orientação prevaleceu no processo de desmantelamento do sistema de radares?

Do ponto ideal, o bom seria que esse tipo de controle não fosse necessário e todos que utilizam as estradas, motoristas, passageiros, pedestres, observassem o que está escrito na legislação. Não é assim. Não se tem vigilância humana suficiente e é impossível manter um quadro técnico em número real para cobrir as estradas de um país do tamanho do Brasil; não há investimentos efetivos nessa área a fim de que o corpo técnico esteja permanentemente capacitado e atualizado; e os equipamentos com frequência estão danificados e submetidos a longo processo de recuperação e de devolução aos seus locais.

Os radares integram iniciativas que, no geral, geram a ideia de que há um acompanhamento do trânsito e, diante de acidentes, é possível encontrar, nesses equipamentos, elementos importantes de informação o que possibilitará à Justiça agir com maior critério. As estradas brasileiras têm sido palco de muitas mortes, de desvios comportamentais que produzem cenários diários de guerra. Logo enfrentar esse problema exige enorme responsabilidade e a tomada de decisão no que se refere a questão jamais deveria ser feita por arroubos ou impressões pessoais ou ainda para agradar determinados grupos. Medidas tomadas dessa forma são perigosas. É preciso que a sociedade fique atenta.


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