Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
Editorial

Medidas em favor da desestabilização


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14/11/2019 às 08:47

O Brasil tem papel crucial na instabilidade em que está submetida a América Latina. A conduta governamental em apoio a determinadas atitudes de desestabilização de governos e concordância com interrupções do estado de direito eleva a temperatura e sinaliza com o sim de um país cuja responsabilidade nesse continente é enorme, seja ela política ou econômica.

Ao mesmo tempo em que reconhece governos como o ora implantado na Bolívia, o governo brasileiro empurra a nação a uma perigosa situação, estabelece e reforça conflitos, estimula a constituição de um eixo que, por sua vez, irá envolver o Brasil em outras frentes de guerras e colocará o território brasileiro como um dos espaços de ataques dos grupos extremistas. A feição neoconservadora do governo do Brasil se não for freada pelos instrumentos legais que aferem ao Estado Democrático de Direito o grau de existência efetiva, empurrará os brasileiros a enfrentamentos como os que ocorrem em outros países latino-americanos e em proporção difícil de ser mensurada.

A sensação que se tem é do gosto do governo e de parte do parlamento nacional em sustentar a crise da institucionalidade nacional e aplaudir a crise latino-americana. Os efeitos, internamente, serão drásticos. A economia não consegue se estabilizar, a política corrói espaços importantes de construção da cidadania e o empresariado segue de um lado a outro, em suas conexões internacionais, na busca de um país com instituições fortes capazes de fazer valer os compromissos assumidos.

Parcela do empresariado mundial descobriu há algum tempo que realizar negócios em países em permanente instabilidade política é um péssimo investimento e decidiu, em inúmeras situações, abandonar essas praças. O Brasil poderá até abrir a porteira de algumas áreas e entregar a Amazônia para determinados tipos de empresários, mas os conflitos que estão sendo gestados irão produzir outro tipo de evento e enorme pressão internacional enquanto, internamente, o cenário tende a ser de guerra.

Na Amazônia, há 11 meses, os povos dessa região vivem em aguda angústia, assassinatos, invasões, incêndios, ameaças de desapropriação se tornaram o cotidiano de milhares de amazônidas. Até agora não houve, por parte do governo, nenhuma sinalização no sentido de impedir que esses atos ocorram. É uma feição do estado brasileiro na atualidade e esse estado adoece a maioria da população.      


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