Segunda-feira, 28 de Setembro de 2020
Editorial

Memória inflacionária


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13/09/2020 às 07:00

A elevação nos preços dos alimentos e de outros produtos nos últimos meses é um fenômeno com o qual a maioria dos consumidores mais jovens de hoje não estão acostumados. Só quem já era consumidor em meados das décadas de 1980 e 1990 sabe das dificuldades de viver em uma economia dominada pela inflação. Naquela época - antes do advento da nossa atual moeda, o real -, a alta generalizada dos preços tinha se tornado algo quase orgânico. As pessoas recebiam seus salários e corriam para os supermercados para comprar o máximo que pudessem, sabendo que os preços já estariam mais altos no dia seguinte, e talvez mais tarde no mesmo dia. Se a população está assustada com a inflação de 2,44% registrada nos últimos 12 meses – muito por conta do aumento em itens como arroz, feijão, leite e óleo de soja – imagine o que era conviver com a inflação de 80% registrada em março de 1990. 
O dinheiro se desvalorizava a grande velocidade, obrigando o governo a lançar sucessivos planos econômicos que incluíam medidas como congelamento de preços, corte de zeros nas cédulas de dinheiro, congelamento do câmbio e outras fórmulas que só os economistas entendiam. Era um inferno que deve ser evitado a todo custo. 
Ainda há certa divergência entre os especialistas a respeito das causas da elevação atual nos preços – alguns defendem que a política, e não a inflação, está na raiz dos preços altos –, mas todos concordam que é cedo para ligar o alerta vermelho, o que não exime o governo de tomar medidas preventivas para amenizar o sofrimento do consumidor, principalmente os menos abastados. Preços altos e desemprego elevado em meio a um cenário recessivo formam uma combinação extremamente perigosa e danosa à economia.
Entidades ligada ao agronegócio defendem o setor e jogam a bola para a sociedade e para o governo. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de São Paulo (Faesp), Fábio Meireles, sugere que as pessoas reduzam o próprio consumo. Um brincante. Ao governo federal, a instituição defende a busca por medidas capazes de equilibrar o câmbio, que baratearia os insumos, desonerar custos dos produtores e não aumentar mais seus impostos. Ao consumidor, resta pesquisar os melhores preços, ajustar as despesas e se preparar para essa fase de preços altos que, por enquanto, não tem previsão para terminar.
 


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