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Editorial

Menos emoção, mais razão

30/08/2017 às 22:24
Show amaz nia

Não resta a menor dúvida de que cuidar do meio ambiente deve ser uma prioridade do País que abriga a região com a maior biodiversidade do mundo. Não restam dúvidas também de que pesquisar - como fizeram entre 2014 e 2015 uma série de cientistas que descobriram mais de 300 novas espécies de seres vivendo em nossa região - é um imperativo categórico dos que entendem a necessidade de transformar esse ativo ambiental em riqueza para nosso povo. O que não se pode, contudo, é parar o desenvolvimento de uma região a cada nova descoberta, pois a  legislação ambiental é sábia quando deixa espaços abertos para a mitigação dos danos causados pela exploração de qualquer tipo de riqueza natural.

Neste sentido a grita em torno da extinção ou redução, como queira, da reserva mineral Renca, no Amapá, só nos serve para o divisionismo entre os brasileiros que tem acessos a bens e os brasileiros que estão sentados sobre enormes riquezas e nada podem fazer com elas por conta de uma séria necessidade ambiental de manter regiões preservadas para que as demais vivam em boas condições. A equação, para os verdadeiros amazônidas, não se fecha porque quem se beneficia das nossas boas condições ambientais não se digna a pagar por serviços ambientais que prestamos. O bonito e simpático quando celebridades internacionais se unem contra a mineração na Amazônia, mas não sabem em que condições vivem os amazônidas. É muito bonito e simpático ser contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), mas ter energia abundante e não sofrer, como ocorreu ontem em grande parte de Manaus, com mais de 20 interrupções no fornecimento de energia em um dos dias mais quentes do ano.

No Amazonas temos exemplos e mais exemplos para dar de valorização da floresta, de respeito aos povos tradicionais, de cuidados com os recursos que pertencem igualmente as futuras gerações, mas que não nos dá grandes vantagens na competição para garantir qualidade de vida para nossas populações. É preciso, portanto, voltamos sempre ao espírito da lei, que recomenda para cada impacto uma devida mitigação. Mineração, por exemplo, é uma atividade econômica poderosíssima em todos os lugares do mundo. Por que devemos renunciar a ela? Por que devemos seguir acompanhando o roubo de nosso minério sem que nós mesmos possamos aproveitá-lo? São questões que o radicalismo não responde. É preciso, pois, racionalidade e observância estrita ao que diz nossa Constituição Cidadã.