Publicidade
Editorial

Menos mortes, mais inteligência

28/10/2016 às 23:30
Show temer033

Em meio a uma incipiente crise entre os poderes da República, deflagrada pela Operação Métis, da Polícia Federal,  há oito dias, Michel Temer  (PMDB) e os presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lucia,  do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB/AL) e da Câmara Federal, deputado federal Rodrigo Maia (DEM/RJ), se reuniram, ontem, para discutir Plano Nacional de Segurança Pública, que foi trazido a lume no dia em que os números do 10º Anuário Brasileiro da Violência mostra que as policias brasileiras hoje são parte do problema e não da solução .

O dado mais relevante mostra que a polícia brasileira é a que mais mata em todo o mundo e, como é parte do problema,  também é a que mais tem integrantes mortos, numa retroalimentação da violência nossa de cada dia. Nos frios números, o Anuário contabiliza nove mortes de brasileiros por conta de ações policiais, no lado contrário pelo menos um policial morre a cada dia no Brasil.

No total, homicídios foram responsáveis pela morte de mais de 58 mil brasileiros em 2015, um número superior ao de soldados norte-americanos mortos nos dez anos da guerra do Vietnã. Em quatro anos os homicídios no Brasil somaram pouco mais de 258 mil, contra aproximadamente 257 mil em quatro anos de guerra civil na Síria, onde atua o famoso grupo terrorista Estado Islâmico. Portanto, na frieza dos números o brasileiro vive numa grande guerra sem perceber isso.

O Amazonas é o 12º Estado mais violento do País e o terceiro da região Norte, tendo registrado no ano passado 1.460 homicídios – média de quatro mortes violentas por dia - contra 1.201 no ano anterior. Houve, portanto, um aumento de 19,3% no número de homicídios no Estado.

A participação dos policiais amazonenses nestas mortes ficaram evidentes no ano passado, sobretudo por conta do fim de semana sangrento de julho, quando 37 pessoas morreram executadas, sendo 21 delas sem nenhuma passagem anterior pela policia, portanto “fichas limpas”. Essas execuções  foram atribuídas, segundo inquérito da operação La Muralla, a um grupo do qual participaram policiais civis, militares de baixa patente e um oficial do Centro de Comando e Controle da Polícia Militar.

Na avaliação dos especialistas a redução da violência só virá quando a polícia entender que não foi feita para matar bandidos, mas sim pacificar comunidades.