Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2022
Editorial

Mercado de trabalho precarizado


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01/12/2021 às 06:56

 

 

O desemprego começa a dar sinais de recuo no País. Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice atual caiu para 12,6% no último trimestre. Uma boa notícia em meio à escalada da inflação e aos temores causados pela quarta onda de covid na Europa e os riscos que a pandemia ainda representa para o mundo. Porém, é necessário analisar com maior profundidade alguns aspectos relacionados a essa aparente reação do mercado de trabalho. É fato que o índice de desemprego é bastante irregular entre as regiões, sendo ainda muito elevado em algumas. No Norte, a taxa de desocupação se mantém em 12%, sendo 13,4% no Amazonas. 

Além disso, a renda média dos brasileiros caiu 4% no último trimestre, o que reflete uma retomada do mercado de trabalho marcada pelas ocupações mais precárias e também a disparada da inflação, que já supera 10% em 12 meses. Essa é uma combinação péssima para o trabalhador: se a renda recua e a inflação avança, o resultado é o empobrecimento da população, principalmente das classes menos abastadas. O desafio do País não é apenas recuperar empregos, mas recuperar renda e promover a abertura de vagas de qualidade. Infelizmente, os indicadores macroeconômicos sugerem que este cenário de renda em declínio e trabalho precarizado deve continuar por todo o ano de 2022 e sem expectativas de melhora no médio prazo. 

O momento é de buscar formas de amenizar as necessidades daqueles que mais sofrem com essas estatísticas, os desempregados sem renda. Não existem soluções simples para um problema tão complexo. Desemprego e inflação já eram projetados por analistas sérios em todo o mundo como consequência inevitável da pandemia. Terão sucesso as nações que fizeram planejamento adequado para superar a pandemia incluindo seus efeitos macroeconômicos, e não perderam tempo e energia com o debate absurdo que se instalou no País em 2020: “salvar vidas ou a economia?”. Por aqui, medidas paliativas, com prazo determinado para a acabar, e coincidindo com o período eleitoral que se avizinha, não são a solução. Países com lideranças racionais souberam desde o início que a crise tinha que ser abordada de maneira integrada. O Brasil precisa correr contra o tempo perdido.


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