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Editorial

Mercado, mulheres e governo

10/03/2019 às 10:16
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A última sondagem do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada há dois dias apresenta um quadro que deveria ser incluído, como parâmetro, nas ações do governo estadual. Nele, é exibida a fotografia ou uma representação da situação das mulheres amazonenses e esta não é boa. Ao contrário, é preocupante quando somados os vários aspectos que o estudo envolve.

As mulheres em situação de desocupação no Amazonas somam 141 mil, o número corresponde a 18,1% na comparação com os homens. Na pesquisa do IBGE, o Estado aparece em quarto lugar na lista nacional de desocupação de mulheres, a frente estão Amapá (24,1%), Bahia (21,1%) e Alagoas (18,7%). A diferença salarial entre homens e mulheres que estão trabalhando, nas mesmas funções, é de 10,9%. No item posto de trabalho, 58% da mão de obra feminina não estão ocupando cargos ou buscando emprego, em relação aos homens, a taxa é de 42%.

O quadro revela uma situação econômica e financeira do outro viés da violência que se é exposta todos os dias na vida de mulheres de todas as idades, mães, avós, tias, irmãs. As subocupações aparecem nesse cenário como única possibilidade de trabalho e de garantir remuneração por vezes somente para comprar comida à família.  São milhares de mulheres em situação de vulnerabilidade e tensões.

O Governo do Amazonas, ao planejar e agir dentro de um programa de desenvolvimento, pode e deve se aproximar muito dos estudos do IBGE para incluir e valorizar ações que contemplem as mulheres. Passa por elas uma importante noção de desenvolvimento que tenha a pessoa o olhar diferenciado. Reduzir as desigualdades entre homens e mulheres, sem desconsidera o fato de que a população feminina é numericamente maior, é passo primordial para uma política governamental que tenha compromisso com outros indicadores da plataforma de avanço entre os quais o esforço para a estabilidade emocional – elemento subjetivo e tradicionalmente deixado de lado pelos estrategistas de governos – cuja potência de ação é enorme tanto na dimensão da saúde quanto do adoecimento. Considerá-la significa reduzir gastos em tratamentos ou reparação de danos físicos e mentais das mulheres e das demais pessoas no entorno delas. As pesquisas podem ser aliadas dos bons planejamentos de governo.