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Editorial

Militares nas ruas de Brasília

24/05/2017 às 22:52 - Atualizado em 24/05/2017 às 22:53
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A convocação das forças armadas para garantir a segurança em Brasília diante das manifestações contra o governo de Michel Temer é emblemática. As medidas de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foram usadas, por exemplo, pelo último presidente do período militar, João Batista Figueiredo. Em 1984, Figueiredo autorizou medidas emergenciais para conter as manifestações pelas “Diretas Já” que tomavam conta do País.

O decreto de Temer, não tem apenas o objetivo de proteger o patrimônio e assegurar a segurança pública em face de uma manifestação que ameaçava descambar para a violência generalizada. A decisão de colocar 1300 soldados do Exército e mais 200 fuzileiros navais nas ruas não foi válida apenas para ontem. O decreto autoriza o ação das Forças Armadas até o dia 31 de maio, será mais de uma semana com força militar nas ruas.

Ressalte-se que medidas de segurança para prevenir o vandalismo e a violência gratuita diante da situação que se viu ontem na Esplanada dos Ministérios seriam totalmente justificáveis. Mas, para isso, não seria preciso convocar as Forças Armadas por um período tão longo. Ao tomar tal atitude, o governo deu um tiro no pé e criou uma situação que lhe prejudica sob qualquer circunstância. Se mantiver o decreto, Temer terá que enfrentar críticas de todos os lados, exibindo mais uma enorme vidraça para ser apedrejada por seus opositores. Isso sem falar na séria possibilidade de ter seu decreto derrubado no Supremo Tribunal Federal (STF) em decorrência da provocação de deputados e senadores. Por outro lado, se o governo recuar, dará uma demonstração de fraqueza, o que seria péssimo no momento em que o presidente tenta imprimir uma aparência de normalidade no governo.

Depois dos protestos de ontem, da decisão polêmica de convocar as Forças Armadas, do empurra-empurra entre oposição e base aliada na Câmara dos Deputados e da repercussão do imbróglio em todo o País, já não é possível para o governo tentar simular normalidade. A essa altura, Temer já deve ter percebido que precisa rever a estratégia de sobrevivência. Para a oposição e boa parte dos próprios aliados, porém, a situação já chegou a um ponto insustentável. A renúncia, no atual cenário, seria a saída mais rápida rumo ao fim da crise política que, tudo indica, ainda está longe de terminar.