Quarta-feira, 14 de Abril de 2021
Editorial

Miopia na tragédia


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03/03/2021 às 07:36

É muito triste que o roteiro de Manaus se repita por todo o Brasil. A receita do fracasso persiste. Diante do avanço dos indicadores da pandemia - UTIs lotadas, alta nos números de casos e óbitos, sistema de saúde caminhando para o colapso... -, governos e prefeituras não veem outra opção a não ser restringir a circulação de pessoas por meio de lockdown e medidas similares. Insatisfeitos, empresários e terraplanistas promovem protestos contra tais medidas, e o resultado é trágico. É aquele que já conhecemos. Avanço severo da doença, com colapso na saúde e alta desenfreada nos números de casos e de óbitos. Esse roteiro macabro já é uma realidade em diversos estados do Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Ontem, foi dia de protesto no Distrito Federal e outras unidades da federação. É questão de tempo para que as mesmas pessoas saiam das ruas e adotem um silêncio sepulcral diante da tragédia que eles agora negam. 

Esse enredo deveria ser suficiente para calar todos os críticos das medidas de distanciamento social, mas, incrivelmente, não é. Há parlamentares na Câmara Municipal de Manaus que defendem a flexibilização das medidas restritivas, colocando o faturamento das empresas de familiares acima da saúde e da vida. A distorção de prioridades na CMM é um reflexo do que ocorre em nível nacional. É espantoso que, no pior momento da pandemia de covid-19, a Câmara dos Deputados esteja às voltas com projetos de lei visando a blindagem dos parlamentares contra o Judiciário e outros temas diversos que nada têm a ver com a gravíssima crise sanitária. 
Vivemos tempos dolorosos.

É óbvio que existem muitos segmentos empresariais sofrendo com os efeitos da pandemia. Mas essa dor não deveria competir com a dor daqueles que estão internados, ou à espera de um leito de UTI, ou com a dor dos que já perderam parentes e amigos queridos para a pandemia. Não devemos estabelecer um ranking de dor para nortear as ações de combate ao coronavírus. O inimigo é um só. E a única forma de reabrir o comércio com segurança é derrotar o vírus e suas variantes. E isso só pode ser feito com vacinação, distanciamento social e medidas adequadas de higiene, ainda que negadas pelas autoridades que deveriam defendê-las. 

Com a classe política, ressalvadas as exceções, priorizando outras frentes, resta à sociedade manter-se firme, e fazer sua parte para superar a pandemia e seus efeitos.


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