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Editorial

Mobilidade espera soluções

16/01/2017 às 21:17
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Não é preciso ser engenheiro de trânsito para compreender as razões do sucesso do Bus Rapid Transit (BRT) em Bogotá, capital colombiana. Tampouco é necessário ir até lá para constatar suas qualidades. O BRT colombiano foi instalado em vias largas, com uma pista segregada para circulação dos ônibus, e pelo menos três pistas para uso dos demais veículos. Nas principais ruas e avenidas, a pista da direita não é usada como estacionamento e os pedestres contam com largas calçadas para se locomover com comodidade.

Para instalar algo assim em Manaus, seria necessário disponibilizar estacionamentos para evitar que a pista da direta seja usada como tal, tomando espaço dos carros em circulação. Também seria necessário assegurar que todos os ônibus usassem a pista segregada e alargar as avenidas como Constantino Nery e Djalma Batista para viabilizar a boa circulação de veículos, indenizando os proprietários. É possível fazer isso? É preciso ir à Colômbia - gastando alguns milhares de reais para buscar constatações óbvias?

Não é a toa que a reação dos internautas à viagem da comitiva da Prefeitura tem sido tão negativa. Para a maioria das pessoas, fica a impressão de que o grupo apenas encontrou uma desculpa para fazer turismo internacional com dinheiro público. Ainda não foi divulgada a lista de pessoas que estarão na comitiva oficial. Vamos esperar que sejam pessoas comprometidas com o assunto em questão, que não haverá cônjuges, parentes e assemelhados incluídos apenas para “curtir” o passeio.

Vamos acreditar que a viagem seja proveitosa para o que se propõe e que seja produzido um relatório elucidativo. Talvez a Prefeitura se convença de que não adianta ter pista segregada à esquerda enquanto houver ônibus circulando pela direita. Já está demonstrado que isso apenas prejudica mais ainda a circulação dos demais veículos; um tiro no pé em termos de mobilidade.

É preciso explicar por que a comitiva visitará também a cidade de Medellín, onde funciona VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), bem diferente do BRT, modal definido no Plano de Mobilidade Urbana (PlanMob) aprovado no ano passado. Se o martelo já foi batido pelo BRT, por que avaliar outro sistema? E se for para verificar todas as possibilidades, para que fizeram o Plano de Mobilidade?