Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
Editorial

Mobilização para superar a indiferença


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29/02/2020 às 07:25

Lançada, nacionalmente, na quarta-feira, a Campanha da Fraternidade deste ano chama a atenção para a condição de vida no País, na América Latina e em todo o mundo. A maioria da população mundial vive em situação de medo e de sistemática precarização de existência produzida pelas guerras alimentadas pelos governos de maior poder.

Estudo da Organização das Nações Unidas (ONU-2019) revelam números do decréscimo da dignidade da vida humana. Mais de dois terços dos multidimensionalmente pobres – corresponde a 886 milhões de pessoas - vivem em países de renda média, enquanto 440 milhões habitam países de baixa renda. Metade das pessoas que vive em situação de pobreza, ou seja 663 milhões, são crianças. A pesquisa da ONU envolveu 101 países e aponta, no geral, 1,3 bilhão de pessoas pobres.

No Brasil, nos últimos dois anos, cresceu a concentração de renda entre os mais ricos e a pobreza. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do ano passado, indicam que 1% da população detentora de maiores rendimentos recebeu o equivalente a 33,8 vezes a remuneração dos 50% mais pobres. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-Contínua), explicita o aumentou da diferença entre ricos e pobres e que a desigualdade atingiu nível recorde. Informa a Pnad que o rendimento médio do primeiro grupo foi estimado em R$ 27.744, e o do segundo em R$ 820, menos que um salário mínimo.

Com o tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”, e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”, a Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), situa-se como mais um espaço e um esforço para que os brasileiros se debrucem sobre a realidade de milhares de homens e mulheres que vivem neste País. Reflitam a respeito das motivações que levam o Brasil a produzir pobreza e miséria, e agir a fim de que a sociedade organizada assuma também o compromisso de romper com esse ciclo e superar a desigualdade.

Ao longo do ano, nos municípios brasileiros, a igreja e as pastorais sociais em articulação com outras organizações e instituições, desenvolverá ações que visam aproximar as pessoas em encontros e leituras das realidades das comunidades. A ideia é conhecer, sentir e cuidar da vida pessoal, comunitária, social e ecológica. 
 

*Foto: Junio Matos


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