Publicidade
Editorial

Mobilizações indígenas

24/08/2016 às 23:00 - Atualizado em 24/08/2016 às 23:00
Show indigenas

Em meio ao cenário de ameaças e manobras no âmbito dos poderes Executivo e Legislativo para retroceder as conquistas, as populações indígenas realinham-se por meio dos movimentos e criam novos espaços de luta nacional e regional. No Amazonas, os movimentos indígenas que congregam os diferentes segmentos, juventude, mulheres, expressam as resistências em uma grande ação indígena.

São múltiplos encontros em diferentes regiões do Estado onde são apresentadas as pautas e as reflexões indígenas. O circuito de mobilização envolve eleições municipais e candidaturas indígenas. Por que queremos ser candidatos? É uma das perguntas feitas nesses encontros e, como resposta, aparece em primeiro plano a necessidade de os candidatos indígenas comprometerem-se com as reivindicações do movimento indígena e agirem a partir delas. Nesse item, a leitura de várias lideranças indígenas é que cabe aos índios tratar dos problemas que os afetam e propor as soluções porque sentem, compreendem e têm  elementos que podem ajudar a resolver esses  problemas.

Juventude e mulheres indígenas também estão realizando encontros para avaliar a caminhada feita e definir as novas intervenções no âmbito das políticas de governo e  públicas. O que se verifica é uma retomada do movimento agora configurado em outras mobilizações que inauguram perspectivas animadoras para as lutas dos povos indígenas e, em concepção mais geral, dos povos do Brasil. Quando os indígenas conseguem assegurar, manter e fazer avançar direitos não são eles isoladamente que se beneficiam é o País que melhora porque nesse imenso laboratório vivo tem a chance de superar as desigualdades, o pensamento único e a exclusão cultural em larga escala. Há humanização e com ela caminhos abertos a uma convivência de respeito aos diferentes e ao aprimoramento da democracia nacional.

As juventudes indígenas da região do Alto Rio Negro ora reunidas em São Gabriel da Cachoeira, as mulheres indígenas artesãs que estão em outro encontro são catalizadoras das  lutas e traduzem os ritmos do caminhar que está sendo feito de dentro para fora.  Os velhos, os adultos, os jovens, as mulheres mobilizam-se a partir de suas áreas, no interior do Estado do Amazonas, para  apresentarem, juntos, os posicionamentos dos povos indígenas aos governos, ao judiciário e ao legislativo. Não aceitam os retrocessos e rejeitam receber migalhas, querem ser parte da tomada de decisão e, para isso, trabalham nos diferentes segmentos de representações dos seus povos na reconstrução de um pacto de luta indígena na Amazônia e no Brasil. E pelo carregam em suas lutas de reafirmação na defesa da democracia brasileira.