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Editorial

Modelo reforça a improbidade

11/01/2017 às 21:20
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As denúncias de não cumprimento do que é normal e regular e as promessas anunciadas em eventos pomposos  de rigor na fiscalização, cobranças e acompanhamentos são enredo recorrentes na administração pública. Do local ao nacional o discurso se repete e de tanta repetição soa como farsa.

A diferença crucial estaria em fazer valer a base da probidade administrativa e dar vida às palavras pronunciadas pelos gestores públicos, pelas autoridades com responsabilidades consagradas no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. O estudo do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) sobre o sistema de água e esgoto no Estado apresenta irregularidades graves  em pelo menos 17 municípios. Cópias do relatório estão sendo entregues  às instâncias de poder e de fiscalização para que sejam tomadas providências. Os dados não são novos repetem uma situação crítica há muito denunciada e sobre a qual nada foi feito.

O documento do TCE-AM, órgão auxiliar da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM)  recomenda prazo de um ano para que o sistema seja corrigido. Para as pessoas ameaçadas um ano ingerindo água inadequada ao consumo e convivendo em precária condição de saneamento é tempo demais. Estão a mercê de epidemias, dos adoecimentos, sofrimentos e até morte. Para tornar o sistema de água e esgoto menos vulnerável é tempo de agir e logo. São muitas providências a serem tomadas e recursos investidos.

Um outro dado é que 2017 é véspera de ano eleitoral e os "donos" dos municípios, caçadores de votos e  defensores episódicos dos interesses das populações desses lugares logo estarão reforçando visitas não para cumprir com suas responsabilidades e sim para fazer negócios eleitorais e eleitoreiros. Se não houver vontade política, determinação, vigilância e cobrança, o relatório do TCE-AM será apenas mais um entre tantos documentos esquecidos para, em outro momento, uma inspeção revelar o que  vem sendo alertado.

O faz de conta passa a funcionar como modelo administrativo. É por meio dele que situações são repetidas cansativamente quando já deveriam ter sido superadas. Por que armas, drogas, celulares continuam sendo entregues nos presídios? Por que vítimas dos temporais ocorridos na cidade permanecem sem assistência, abandonadas, esquecidas? Enquanto prevalecer o pacto por esse modelo administrativo amparado pelos braços da Justiça e do Parlamento os avanços e a superação do que agride as pessoas estarão distantes de obter êxito.