Sábado, 17 de Agosto de 2019
Editorial

Moradia e corte de verba


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18/07/2019 às 07:57

O contingenciamento de verbas pelo governo federal para moradia deve agravar em nível profundo o déficit habitacional no País. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) apontam que mais de 90% dos recursos orçados para o setor foram contingenciados. A medida ocorre em um quadro de crise para parcela expressiva dos brasileiros com mais de 13 milhões de desempregados, milhares de trabalhadores na informalidade, e elevação dos preços de produtos alimentícios e de serviços básicos como gás de cozinha, energia elétrica e água canalizada. Para outra parcela, às tarifas elevadas é acrescida o preço de medicamentos elevado a patamar impossível de ser acompanhado por parte desses brasileiros.

A decisão do governo Bolsonaro em contingenciar recursos em áreas que historicamente foram ignoradas e necessitam da manutenção permanente de verbas demonstra uma decisão que se baseada em dados técnicos é, na mesma medida, um ato que não obedece uma leitura mais próxima da realidade da maior parte da população do País. Ao mesmo tempo, setores como o Judiciário e o Legislativo foram poupados da operação de aperto financeiro e, em determinados casos, tiveram atendidos pedidos de alocação de mais recursos. As emendas parlamentares, utilizadas como moeda de troca para aprovação, pela maioria dos deputados federais, da primeira versão da proposta de reforma da Previdência, é um dos exemplos que agride a condição de dificuldade e de sofrimento a que estão sendo submetidos os brasileiros.

Nessa direção de política de governo, setores privilegiados são contemplados e desconhecem a crise que afeta os brasileiros mais pobres enquanto direitos constitucionais estão sendo colocados de lado com o progressivo desmantelamento de programas de proteção e de ações combinadas que resultavam em superação da miséria e na redução de déficit em áreas fundamentais para garantir dignidade às famílias.

Projeções indicam que a decisão de cortar os recursos em moradia, educação, saúde deverá se gerar impactos negativos de longo prazo e que exigirá, do governo, promover iniciativas que invés de fazer avançar a política de superação de déficit será marcada pela possível tentativa de minimizar os efeitos amargos. O quadro é bastante preocupante, de acordo com levantamentos de organismos que monitoram essas áreas, e os números demonstram que os problemas serão arrastados. 


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