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Editorial

Moradias em área de risco

04/01/2018 às 21:33
Show desmoronamento

As repetições das notícias do mês de janeiro são antigas. Uma delas costuma ter performance semelhante diferenciado somente no número de  vítimas fatais. Trata-se dos deslizamentos e desmoronamentos de terras principalmente os das encostas que arrastam casas e gente. Nas diferentes regiões do País o drama se repete a cada janeiro.

O que intriga é a decisão de manter moradias ou permitir a construção destas nessas áreas de risco. É como se os acidentes com diferentes graus de consequência não tivessem nenhuma importância e, a cada ano, fosse varridos da memória coletiva e dos gestores públicos. Por 11 meses uma espécie de trégua é oferecida talvez para que sejam tomadas providências administrativas firmes a fim de evitar no ano seguinte uma nova tragédia. Nada é feito concretamente.

As notícias entre o final de dezembro e o mês de janeiro produzem uma sequência de cenas do velho filme com novos personagens como ora ocorre. A cada chuva forte são registrados os acidentes e mensurados os prejuízos. O sofrimento das famílias, de amigos e vizinhos não consegue ser suficiente para a tomada de posição para impedir uma nova onda de desmoronamentos e destruição de moradias e de vidas humanas. Ao contrário, as cenas de desespero vêm sendo usadas para fins políticos partidários seguindo-se a promessa de que o ano seguinte tal situação não mais ocorrerá caso o candidato saia vitorioso no processo.

Essas pessoas que utilizam o sofrimento da população ou de segmentos sociais para fazer campanha política deveriam ser legalmente responsabilizadas. Já antecipam como utilizarão o mandato e quais são as suas prioridades como parte do poder seja no Legislativo ou no Executivo.  O pacto para manter moradias em áreas de risco ou permitir que áreas assim classificadas tecnicamente sejam ocupadas tem tradicionalmente a participação ativa de políticos que costumam fazer qualquer tipo de negócio em troca de votos. Esse é um dos negócios duplamente criminosos, primeiro porque é compra de voto, enganação da fé pública e, depois, pelos resultados desastrosos que tal conduta produz para quem passa a viver nesses pedaços de terra. Este ano os problemas estão sendo mostrados mais uma vez pela imprensa. Haverá mudança? Ou nesse mesmo período em 2019 mais uma vez os registros irão repetir a história de destruição e morte?