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Editorial

Moradores de rua

11/04/2018 às 21:31 - Atualizado em 11/04/2018 às 23:16
Show rua

A população de moradores de rua em Manaus está estimada em 1.289 pessoas (dados da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania – Sejusc). O número de acordo com projeções do novo levantamento ora em andamento tende a aumentar e, com ele, são apresentadas necessidades que deveriam ser tratadas desde o início para que não sejam transformadas em problemas graves ou tragédias humanas.

A população moradora de rua é uma das questões sérias da maioria dos centros urbanos do País e do mundo. Nas grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Roma, Nova York, são conglomerados humanos que todos os dias enfrentam muitas batalhas para conseguir sobreviver e muitos morrem em decorrência de um permanente estado de abandono e de privações, outros tantos são assassinados.

Em Manaus, é possível adotar postura que inaugure uma política governamental de atendimento aos moradores de rua. O impasse se encontra na percepção desvirtuada dos administradores públicos que tende a colocar essa população à margem das ações de apoio e de assistência, de monitoramentos que possam produzir identificadores sobre os moradores, os que estão em função de realidades que os expuseram à condição de rua e aqueles que optaram por viver na rua.

Já existem na Sejusc alguns dados desse acompanhamento, tais como faixa etária, motivações para morar na rua, perfil por gênero. É importante que a esses dados sejam acrescidos possíveis novos elementos que venham a agravar ainda mais a situação dessa população, pois, somente assim uma política de atenção terá sentido e resultado. São necessários atendimento médico, oportunidade de higiene pessoal, alimentação, remédios, exercícios físicos e de trocas de experiências, enfim um ambiente menos indiferente e hostil que tendem a estimular a postura de violência por parte das pessoas não-moradoras de rua.

O abandono a que a maioria dessa população está submetida denuncia a condição de cidade que se tem, seja Manaus ou Belo Horizonte. Várias experiências envolvendo diferentes parcerias, governo e sociedade, têm ajudado a melhorar a vida dos moradores, assegurando-lhes meios para tomar banho, se proteger da chuva, do sol, do frio, do calor; ter alimentos e roupas limpas. São esforços que representam um ato concreto em favor da integridade e da dignidade da vida da pessoa. Em Manaus, ainda se está longe de uma política humanizadora de acolhimento.