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Editorial

Moralização da Câmara

16/07/2016 às 17:13
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A Câmara dos Deputados tem um novo presidente, eleito e empossado, e desafios que parecem impossíveis de serem encarados. As primeiras propostas do deputado Rodrigo Maia soam bem se vista somente na superfície e contrastam com o histórico da Casa: falta de transparência e um longo processo de trapaças cujas peças aparecem mais nítidas no episódio Eduardo Cunha.

Como moralizar e apaziguar a Câmara dos Deputados? Ambos processos não serão resolvidos com a troca na presidência. Têm raízes profundas e estão relacionados  a questões mais amplas, como a falta de uma reforma política radical, as formas de financiamento das campanhas, controle social mais efetivo sobre os agentes públicos e mais educação política aos cidadãos.

A Câmara e o Senado expõem um estado elevado de mal-estar à sociedade que em geral percebe o Congresso Nacional como lugar de negócios escusos, de homens violentos e adeptos ao cinismo no exercício de suas atividades. Esse sentimento é   patrocinado por escândalos em série e pactos sórdidos. Como moralizar? Decisões muito amargas deveriam ser tomadas para iniciar um processo de moralização e essas decisões sequer entram na pauta parlamentar. A Câmara, em sua maioria, rejeita a moralização.

Talvez um determinado tipo de apaziguamento possa ser construído. Mas a que preço? Aquele que estabelece o silêncio dos pactos? O deputado Eduardo Cunha conseguiu adesão expressiva e controle impressionante dentro da Câmara. Tornou-se poderoso e habituou-se ao séquito e aos que, em qualquer situação, estavam a postos para defendê-lo.

O pacto promovido pelo ex-presidente Cunha custou e custa um preço alto e não foi feito em função das obrigações parlamentares para com os brasileiros, ao contrário, buscou unicamente viabilizar captação de recursos, de votos e de manutenção de poder para achacar.

O que mudou, de fato, com a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados? O que está sendo operado para apaziguar a Câmara? Os membros do parlamento continuam, em maioria, fazendo discursos que zombam dos eleitores e do povo, e comportam-se como se estivessem fora do alcance de qualquer julgamento, livres para agir como entenderem. Ignoram a condição de servidores públicos que os obriga constitucionalmente a uma determinada conduta que vem sendo posta de lado por muitos dos parlamentares.