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Editorial

Morosidade irresponsável

14/09/2018 às 07:11 - Atualizado em 14/09/2018 às 07:13
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A seletividade da Prefeitura de Manaus em relação a certas obras na capital coloca em risco a segurança da população. No bairro Mutirão, na Zona Leste,  por exemplo, há mais de um ano, moradores esperam a conclusão das obras de reconstrução da ponte localizada na Rua Itaitê. Há mais de um ano, máquinas da Prefeitura estão paradas no local, que foi interditado para circulação de carros. Mesmo assim, pedestre e motocicletas passam pelo local o tempo todo, correndo o risco de cair no igarapé junto com o que resta da ponte. 

Como se não bastasse, a obra inacabada fica na entrada da Feira do Mutirão, um dos pontos mais movimentados da Zona Leste, com inúmeras lojas e vendedores ambulantes, o que acentua ainda mais o risco para todos. 

Outro retrato da morosidade é a Ponte do Educandos, que está parcialmente interditada há quatro meses devido a erosões e rachaduras em sua estrutura. Quem mora em casas localizadas embaixo da passagem convive com o medo de uma tragédia, sem falar no risco para os próprios condutores. A Prefeitura chegou a interditar a passagem para veículos pesados, mas a falta de fiscalização por parte do Manaustrans torna a medida inócua. 

A despeito dos riscos para inúmeros manauaras nesses pontos da cidade, a Prefeitura de Manaus mantém outras obras a pleno vapor na capital, notadamente a renovação da cobertura asfáltica. 

Um motivo para tal seletividade é o próprio período eleitoral. A gestão municipal está claramente priorizando as ações que rendem mais votos, em detrimento daquelas que deveriam ser mais urgentes por questões de segurança. 

Até quando moradores, condutores e comerciantes que vivem e trabalham na feira do Mutirão ou utilizam a Ponte do Educandos vão conviver com o risco de desabamento? Será preciso que uma tragédia aconteça para que a gestão municipal passe a atuar com mais critério e celeridade? No caso específico dessas duas obras, é urgente que medidas de segurança sejam adotadas de imediato; no mínimo, a adequada interdição dos locais, com a devida fiscalização por parte dos órgãos competentes para assegurar o isolamento. No caso específico do Mutirão, tamanha demora na reconstrução de uma ponte é simplesmente inaceitável.