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Editorial

Movimento pede resistência

22/09/2017 às 21:21 - Atualizado em 22/09/2017 às 21:30
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Organizações do movimento popular e representações de mais 50 categorias profissionais estão em ação para denunciar, nacional e internacionalmente, o desmonte de programas sociais.  Há um mês, após reunião em Brasília, o movimento Resista lançou um manifesto que chama atenção da sociedade brasileira para a grave situação em que se encontram setores como o de reforma agrária, dos atendimentos à saúde na rede pública com falta cada vez maior de profissionais em várias áreas, dos direitos humanos, da escalada da violência contra mulheres, jovens, negros, indígenas e quilombolas.

Um coletivo de 150 entidades assina o manifesto e pede que a sociedade organizada reaja à política implantada pelo governo do presidente Michel Temer que está confirmando recuos em todo a estrutura que  atendia as demandas sociais e inseria com valor maior temas historicamente colocados em segundo plano nas políticas de governo ou até ignorados.

O meio ambiente aparece nesse documento como um dos mais atacados com decisões que a cada dia vão se confirmando para assegurar projetos de exploração dos recursos naturais. O tema ‘terras indígenas x exploração’ aparece como uma das preocupações  porque nela estão sendo colocados ingredientes de confronto e morte. Parlamentares e outros agentes públicos estão atuando para dividir os indígenas e garantir apoio de alguns deles para oferecer aparência de legitimidade na pressão pela abertura da exploração mineral em terras indígenas. Na quarta-feira, 80 líderes indígenas repudiaram, em encontro ocorrido em Manaus, a manipulação feita pelo governo e por setores do legislativo para fragmentar a luta dos indígenas enfraquecendo o movimento desses povos. Ao final, prometeram reagir diante da “confusão” e do “desrespeito” com que o Governo Federal e o do Amazonas estão tratando o movimento e os indígenas.

Engenheiros, agrônomos, professores, estudantes, médicos, intelectuais, artistas, poetas, líderes de movimentos por moradia, pelo direito à terra entre outros estão no ‘Resista’ e pretendem alcançar as cidades brasileiras  para construir uma rede nacional de reação ao que classificam de ataques e desmontes dos direitos da maioria dos brasileiros.

O governo Temer ignora o cenário e prossegue produzindo atos que ampliam a indignação e impedem o restabelecimento de uma convivência respeitosa ente os brasileiros. Ao contrário, o que prolifera nas ações governamentais e dos congressistas é a ideia do conflito, do confronto corporal cujas consequências podem ser trágicas.