Publicidade
Editorial

Mudança de postura pós-eleições

26/01/2017 às 22:15
Show neto033333

Menos de um mês após tomar posse em seu novo mandato, o prefeito Artur Neto quebra uma de suas principais promessas de campanha nas eleições que consagraram sua vitória nas urnas em outubro passado. Ao autorizar o reajuste da passagem de ônibus em Manaus após ter passado todo o ano de 2016 afirmando que não o faria sob nenhuma hipótese, o prefeito pratica o que se convencionou chamar no vocabulário político de  “estelionato eleitoral”. O novo valor - R$ 3,30 - começa a valer a partir do próximo sábado (28).

É comum na prática política brasileira que chefes do Executivo evitem medidas impopulares no ano que antecede  eleições como forma de manter a popularidade em alta e não prejudicar o desempenho nas urnas. O problema é que, ao adiar discussões importantes, a população é quem paga a conta.

Para a ex-presidente Dilma Rousseff, que segurou reajustes de preços controlados pelo governo para cimentar o caminho da reeleição, as consequências foram graves para o País e para ela mesma. Ao autorizar os reajustes represados de itens como combustíveis e energia, o impacto no bolso da população foi grande e o apoio popular ao governo entrou em queda livre.

A população de Manaus já está percebendo padrão semelhante na mudança de postura do prefeito, que antes caprichava no palavreado, desafiava a Justiça e posava como o paladino do povo ao lutar de forma intransigente contra qualquer ameaça de reajuste no valor da passagem do transporte urbano.

Com o mandato de mais quatro anos assegurado, a postura do prefeito mudou completamente. Ele não vê nenhum problema em afastar-se da cidade em momento tão delicado, com possibilidade de greve no transporte coletivo. Ele administra Manaus via Whatsapp, deixando o problema nas mãos do vice-prefeito, Marcos Rotta, que foi rechaçado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM). Os trabalhadores exigem tratar diretamente com o prefeito para reivindicar que o prometido reajuste salarial de 10% seja pago de forma retroativa aos dez meses que a categoria permaneceu com salários congelados. Na última vez que houve paralisação dos rodoviários, que preferem não fazer greve de catraca livre - os transtornos para a população foram enormes.  A situação é difícil, tensa, mas o prefeito segue ausente.