Terça-feira, 03 de Agosto de 2021
Editorial

Mudança de rota?


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25/06/2021 às 07:36

A troca de comando no Ministério do Meio Ambiente era mais do que esperada. Com o aumento das pressões sobre o governo federal como um todo e as denúncias que pesam sobre o ex-ministro Ricardo Salles, a saída era uma questão de tempo. Fato é que a demissão de Salles abre para o governo a oportunidade de um recomeço na gestão ambiental. Com a mudança no Ministério, os olhos do mundo se voltam para o Brasil, investidores internacionais aguardam sinalizações claras de que o País tem compromissos sólidos com a preservação ambiental. É a oportunidade de, finalmente, apresentar uma proposta de política ambiental concisa, algo que não temos há muito tempo.

Vale ressaltar que uma mudança de rota na gestão ambiental não significa aderir a um ativismo radical, não se trata de instalar uma “redoma” sobe a Amazônia, por exemplo, e torná-la intocável. É a busca por um meio termo factível, que faça valer a expressão “desenvolvimento sustentável”. O Brasil pode mostrar ao mundo que é possível gerar riqueza e desenvolvimento sem depredar a natureza e mantendo a harmonia com os povos tradicionais. Até agora, o recado tem sido o oposto: o agronegócio avança ao mesmo tempo em que também crescem o desmatamento, as queimadas e os ataques a povos indígenas.

Algumas posturas precisam ser revistas. O trato com os povos indígenas e o reconhecimento do direito deles às próprias terras é uma delas. Na última quarta-feira, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, aprovou um projeto de lei que muda as regras para demarcação de terras indígenas, com uma série de pontos polêmicos que apenas ampliam ainda mais a pressão de garimpeiros, grileiros, fazendeiros e oportunistas sobre essas terras. Se esse projeto for convertido em lei da forma que está, o recado que o Brasil dará ao mundo será o pior possível. Questões como essas precisam ser muito bem discutidas, principalmente, com os próprios donos das terras, os índios.

Enfim, estamos diante de uma grande oportunidade de mudança positiva. Especialistas na área ambiental, porém, não estão muito esperançosos. O perfil do novo ministro não indica propensão a ajustes de rota, mas não custa manter o otimismo e esperar por dias melhores.


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